Elis Regina, o fatídico 19 de janeiro de 1982 e a MPB

Elis Regina passou 36 anos entre os brasileiros. Com efeito, um tempo lamentavelmente curto demais para o tamanho de sua genialidade. No entanto, o período em que permaneceu entre nós foi de um brilho tão intenso que, até hoje, não se apagou.

Dona de uma voz inigualável, Elis Regina morreu a 19 de janeiro de 1982. Nascida a 17 de março de 1945, em Porto Alegre, transformou sua vida num grande espetáculo artístico. Naturalmente, para cumprir o que lhe dissera quem a levou em primeiro lugar ao palco.

“Menina, você vai ser a maior cantora do Brasil.” Foi o que proclamou, em 1962, o produtor Walter Silva, tão logo ela acabou uma apresentação, em seu (de Walter) programa. Na época, Elis tinha, ainda, 17 anos, e já mostrava cabalmente, ao mundo, para o que viera.

Maior cantora

Não somente Elis era considerada a maior cantora do Brasil, como aquela que mais emoção levava às músicas que interpretava. Assim, aliando uma voz afinadíssima a uma interpretação de arrepiar, Elis Regina encantou o Brasil.

Não somente encantou como inibiu muita gente da area musical. Dessa maneira, porque suas gravações tornavam as respectivas músicas, a partir de então, quase que intocáveis. Portanto, poucos tiveram coragem de graver alguma obra musical depois de Elis faze-lo.

Segundo relata a jornalista Nathália Taurais, grandes compositores e intérpretes passaram momento de vacilação diante de músicas já gravadas por Elis. Ao ouvir “Se eu quiser falar com Deus”, na voz de Elis, Gilberto Gil confessou: “como é que eu vou cantar essa música agora?”.

Elis e a MPB

A fantástica gaúcha cantou de tudo, em sua vida, de rock a samba. Contudo, foi na Música Popular Brasileira onde firmou conceito e estabeleceu parâmetros. Começando pelo programa Fino da Bossa, com Jair Rodrigues, verdadeiro manifesto semanal, ao vivo, a favor da MPB.

“Elis foi uma artista que vivenciou todas as etapas do processo de legitimação da MPB nas décadas de 1960 e 1970, passando por todas as fases e dialogando com as diversas demandas do mercado de música no Brasil.”

A constatação é da historiadora Rafaela Lunardi, em sua dissertação de mestrado “Em busca do Falso Brilhante: Performance e Projeto Autoral na Trajetória de Elis Regina (Brasil, 1965-1976)”, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Posicionamento politico

Elis cumpriu sua trajetória artistica, lamentavelmente, durante o regime autoritário instaurado em 1964. Então, ela tinha 19 anos, há somente dois anos de sua primeira aparição pública. Apesar de ter se apresentado em 1972, nas Olimpíadas do Exército, não colaborou com o regime.

Aliás, fez oposição à ditadura o quanto pode, sofrendo perseguições justamente por causa de seus posicionamentos. Seu mais forte engajamento politico encontra-se na própria defesa da Música Popular Brasileira. Exatamente onde havia forte resistência ao regime.

Por tudo isso, Elis seguirá inesquecível não apenas por sua arte vocal, mas, da mesma forma, por tudo o que representou como brasileira, para sempre, símbolo da luta em favor da cultura nacional e da liberdade de expressão.

Fontes

https://www.guiadasemana.com.br/arte/noticia/10-curiosidades-sobre-elis-regina-que-voce-precisa-saber

https://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/musica/para-historiadora-elis-regina-representa-uma-sintese-da-mpb/n1597583507111.html

Memória

Portanto, Elis Regina passa a fazer parte das Memórias, do Para Onde Ir.

2 comentários em “Elis Regina, o fatídico 19 de janeiro de 1982 e a MPB

  1. Só uma correção, Elis Regina morreu no dia 19 de JANEIRO de 1982, não em fevereiro…
    No mais, tudo perfeito…

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