O caso da ITA e a economia do turismo no Brasil

Sérgio Botêlho – Ao deixar os passageiros no chão, a ITA prejudicou a economia do turismo no Brasil em sua busca de recuperação

O final do ano de 2021 reservou à economia do turismo brasileiro uma péssima surpresa. Na sexta-feira, 17 de dezembro, a Itapemirim Transportes Aéreos (ITA) anunciou a suspensão de suas atividades.

De cara, centenas de passageiros compradores de bilhetes da empresa se viram amargurados e revoltados em aeroportos sem terem sequer a quem recorrer. Os boxes e os empregados da empresa simplesmente desapareceram.

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Para muitos, a debacle da empresa não era surpresa, especialmente para os observadores dos negócios no Brasil, já que a empresa Itapemirim, uma das mais tradicionais no transporte de passageiros do país, estava em recuperação judicial.

Além disso, nas costas da empresa, havia uma série de irregularidades escancaradas, como atraso no pagamento de funcionários, por exemplo, inclusive com ação na Justiça interposta pelo Sindicato Nacional de Aeronautas (SNA).

Como eles conseguiram convencer as autoridades brasileiras a apostarem no sucesso da empresa no transporte aéreo de passageiros ainda é um mistério a ser desvendado. O presidente da República chegou a comemorar em live, com a marca da empresa em punho.

O resultado é que boa parte dos passageiros, envolvidos financeira e emocionalmente com as viagens programadas, terminaram ou perdendo suas programações, por inteiro, ou pagando muito caro por novas passagens em outras empresas.

Afinal, as demais empresas de aviação, a exemplo de Gol, Latam e Azul, justamente em final de ano, estavam com suas aeronaves lotadas e, portanto, praticamente impossibilitadas de oferecer ajuda na medida reclamada.

Segundo informações da imprensa, havia entre o dia da suspensão e 31 de dezembro, 514 voos programados, calculando-se em 80 mil o número de passageiros com passagens compradas na ITA.

Na sequência, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu o Certificado de Operador Aéreo da ITA Transportes Aéreos. Sem o documento, a empresa não pode voltar a voar, embora seus proprietários tenham dito que voltarão em fevereiro deste ano.

O caso da ITA ocorre em um momento crucial para a economia do turismo no Brasil. Neste momento, o segmento peleja energicamente para recuperar a força que apresentava até 2019, no período anterior à pandemia.

Já não basta a luta que é travada entre os defensores do passaporte de vacina, em todos os setores envolvidos com viagens e turismo em geral, e os negacionistas, a partir do próprio presidente da República, que insiste em desmoralizar a medida.

A ampla maioria das nações civilizadas vem adotando a vacina, e o passaporte vacinal, como medidas fundamentais para derrotar de vez a pandemia, e de quebra, recuperar o setor turístico, que é fundamental para a economia de diversos países do mundo.

No Brasil, essa importância do turismo está entre os quesitos mais fortes de nossa economia. Dessa forma, a crise provocada pela Covid-19 mexe com os empresários do setor, mas também com todos os que se preocupam com a recuperação da economia nacional.

O setor de transporte aéreo é um dos mais expressivos componentes da economia do turismo, tendo sido um dos mais prejudicados pela pandemia, no mundo inteiro, necessitando de auxílio governamental para enfrentar a crise.

A suspensão dos voos da Itapemirim, em meio a um dos maiores eventos do calendário turístico, que são as festas de Natal e fim de ano, representa um fator desmoralizante enorme para a economia do turismo brasileiro.

Portanto, não é possível que não se adote medidas em acréscimo às já existentes, no país, para evitar futuros acontecimentos semelhantes a este de agora. Em complemento, punir exemplarmente a ITA é providência vital para a preservação do prestígio da aviação comercial brasileira. DESTAQUES DA GRANDE MÍDIA IMPRESSA DE HOJE

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