PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Ainda longe da fama, Renato Aragão escapou da morte num acidente de avião em Campina Grande

Sérgio Botelho – No dia 5 de setembro de 1958, um avião da empresa Lóide Aéreo bateu contra uma elevação, nas proximidades do Serrotão, em Campina Grande, após perder altura, conforme explicou matéria de capa do A União do dia 6.

O avião era um Curtiss C-46 Commando, prefixo PP-LDX, da Lóide Aéreo Nacional. A aeronave tentava pousar, em noite chuvosa, no então aeródromo local, hoje Aeroporto Presidente João Suassuna.

As investigações técnicas atribuem o acidente à combinação de mau tempo, informação meteorológica inadequada e erro de procedimento do piloto, resultando na colisão.

Dos 40 passageiros e 5 tripulantes, morreram 13 (de imediato, foram 10). Entre os mortos, comerciantes e dirigentes bancários campinenses. O avião procedia do Rio de Janeiro, com destino a Fortaleza, e devia fazer escala em Campina.

Entre os sobreviventes, o humorista Renato Aragão, na época, com 23 anos e estudante de Direito, que retornava de Recife (onde o avião fez escala), após participar de uma competição universitária, jogando futebol.

Segundo ele relatou em depoimentos posteriores, entre os cearenses salvaram-se ele e um outro universitário, jogador de basquete. Vê-se que Os Trapalhões nunca teriam existido caso o destino de Renato fosse a morte, naquela tragédia.

O humorista contou, ainda, que pessoas com facões, surgidas da mata, saquearam o avião sinistrado. Narrou que os saqueadores tiravam alianças de mortos. Os dois buscaram uma vereda e caminharam até alcançar a cidade.

A União registrou que, refeitos do susto, no dia 6, os dois seguiram viagem para Fortaleza, agora de automóvel, conforme o registro do jornal oficial do estado, que continuou cobrindo o dramático acidente.

O episódio mexeu com a rotina de Campina Grande. Tanto que o dia 6 de setembro foi feriado municipal, quando foram sepultadas as vítimas campinenses do terrível acidente, para sempre marcado na história da cidade.

A “Capela do Avião”, também chamada por moradores de “capela do Didi” e, por vezes, “capela das 13 almas”, é um pequeno oratório erguido no ponto exato onde caiu o avião, às margens da BR-230, nas imediações do Serrotão/Bodocongó.

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