Anvisa aprova fábrica chinesa da Coronavac; Butantan conclui testes: vacina, já!

Sérgio Botêlho – Nesta segunda-feira, 21, a Anvisa publicou duas resoluções certificando com o selo de Boas Práticas de Fabricação a empresa chinesa Sinovac. Recentemente, técnicos do órgão de vigilância sanitária brasileira estiveram naquele país asiático.

Segundo explica a agência, “a etapa finalizada é um dos pré-requisitos para a continuidade tanto do processo de registro da vacina da Sinovac, quanto de um eventual pedido de autorização de uso emergencial dessa vacina que vier a ser apresentado à Anvisa”.

Por outro lado, o prestigiado Instituto Butantan, de São Paulo, concluiu neste final de semana a terceira e última fase de testes clínicos da vacina CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês em parceria com o instituto.

A fase 3 de testes é a última etapa antes da aprovação final da vacina. Eles serão divulgados nesta quarta-feira, 23. No entanto, jornais americanos já adiantam, nesta terça-feira, 22, que os testes foram positivos.

Quer dizer. Com a decisão da Anvisa em aprovar a fábrica chinesa e a conclusão, pelo Butantan, das três fases da vacina Coronavac, podemos estar realmente próximos à sua aplicação, a partir de 15 de janeiro próximo, ao menos em São Paulo.

Contudo, alguns municípios brasileiros importantes, a exemplo do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, já estão negociando lotes de vacinas com o Butantan. Com a aprovação da Anvisa, essa corrida pela vacina tende a se tornar bem maior.

Economia e vacina

Nos últimos dias, organismos empresariais têm insistido na tese de que somente a vacinação em massa será capaz de influenciar positivamente na recuperação da economia brasileira, com anuência do próprio ministro da Economia, Paulo Guedes.

Nesse diapasão, empresários brasileiros, segundo o Valor Econômico desta terça-feira, 22, preocupados com o que chamam “guerra das vacinas”, envolvendo o governador de São Paulo, João Dória, e o presidente Jair Bolsonaro, querem investir diretamente no processo de vacinação.

Para Luiza Trajano, do Magazine Luiza, que lançou a campanha nacional “Vacina para todos” em suas redes sociais, de acordo com a matéria do Valor, é preciso haver um planejamento estratégico e união de esforços.

Conforme pensa Robson Braga de Andrade, presidente da CNI, a indústria avalia bancar parte da campanha de vacinação para trabalhadores não incluídos no início do programa, na faixa entre 20 e 50 anos, com recursos do Serviço Social da Indústria.

Dessa maneira, a sociedade brasileira, diante do negacionismo governamental, vai se mobilizando em busca da única saída realmente eficaz para a retomada da economia, que é justamente a vacinação.

Coronavac

Convém registrar que a chinesa não é a única vacina em reta final de testes antes do pedido de autorização da Anvisa. Também estão na pista a da AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, a Sputinik V, da Rússia, a da Johnson e a da Pfizer.

Todas, em suas fases de testes, vêm oferecendo resultados bastante animadores. Só que a da Pfizer exige uma logística extremamente complicada, para sua distribuição, uma vez que precisa ser acondicionada em baixíssima temperatura.

Naturalmente, o que menos se deseja, neste momento, é a politização da vacina. E, muito menos, sua ideologização. Afinal de contas, o vírus não tem qualquer preconceito político ou ideológico atacando a todos, indistintamente. 

Portanto, qualquer uma delas, uma vez aprovada pela Anvisa, além de outras agências internacionais de controle de medicamentos, deve ser imediatamente aplicada para que o país não continue vivendo o atual quadro de pandemia com a contagem chegando aos 200 mil mortos.

Vacina, já, venha de onde vier, desde que certificada, é a palavra de ordem inequivocamente acertada para o momento atual brasileiro. 

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