
Cidade Velha
(À cidade de João Pessoa que um dia voltará a se chamar Parahyba)
Pié Farias
Portas, janelas
Da cidade velha
Enfileiradas…
Portas do tempo
Das gameleiras
Bondes, ruelas
Becos, ladeiras
Rios e matas.
Portas dos templos
Portas das casas…
Portas dos tempos
Das ceias fartas
Portas que se abrem
Para as calçadas
Onde as cadeiras
Se amontoavam
Para uma prosa…
Portas das ruas
De linhas tortas
Rua Direita,
Ladeira do Rosário,
Rua Nova,
Das Convertidas
E da Areia.
Portas, janelas
Com suas bandeiras
Meio-góticas,
Arredondadas,
Tuas sacadas
Lembram moças
Debruçadas….
Hoje, inda belas
Portas, janelas
De uma beleza
Triste, amarga…
Assim, fechadas
Quase vazias
E abandonadas…
Se eu não tivesse
Perdido o sonho
Perdido a alma
Imaginava-as
Portas, janelas
Todas soberbas
Todas abertas…
… Imaginava
Música, piano
Festas e valsas…
… Imaginava
Fitas e laços
Em suas cortinas
Tão delicadas…
Quem dera, o tempo
Que ainda esperas
Portas, janelas
Traga bons ventos
Devolva-lhes a graça
E o encantamento
Que esbanjavas…
Portas, janelas
Da cidade velha
Enfileiradas.
