Como entender a morte de Chico Mendes, em 22 de dezembro de 1988

Chico Mendes, líder dos seringueiros acreanos, foi assassinado em 22 de dezembro de 1988, com um tiro de escopeta. Assim, cumpria-se mais um capítulo da história que vem sendo escrita no Brasil desde 1500, com a chegada dos europeus. Portanto, o que ninguém conta de Chico Mendes é que sua morte obedece a um ritual contínuo de destruição ‘dessas terras descobertas por Cabral’. Apesar de habitada há milhares e milhares de anos.

Exploração predatória

Com efeito, desde que começou a exploração da Terra Brasilis a pisada tem sido a mesma, sem mudanças significativas. Antes de tudo, a extração predatória do pau-brasil, madeira que encantava as cortes europeias.

Então, portugueses, donos da terra, buscaram lucrar com a exploração pura e simples dessa riqueza inicial. Enquanto os índios ornavam a pele com o vermelho da madeira, os nobres europeus tingiam suas roupas. E a cobiça ordenava a derrubada da floresta

Capitanias hereditárias

Desse jeito, o Brasil acabou dividido em imensas propriedades individuais de terras. Então, nasceram as capitanias hereditárias, instalando-se, desde ali, a cultura da propriedade latifundiária, no país.

Portanto, não importava o que deveria ser feito para a exploração predatória do pau-brasil. E ainda dos minérios espalhados por todo o território. Se o problema era o índio, que sejam mortos. Se havia problema de mão de obra, recorra-se à escravidão.

Hoje e ontem

De tal forma que a civilização ia chegando ao Brasil de forma completamente elitizada. Os gozos e os usufrutos, para a elite. O trabalho árduo e o sofrimento, para pretos, índios e pobres em geral.

Nesse sentido, foram sendo assassinados quem se opusesse à sanha exploratória. Enquanto isso, os enormes buracos e as doenças iam destruindo os locais onde antes havia minério, e os resistentes, mortos.

Chico Mendes

Sem dúvida, o assassinato de Chico Mendes, há apenas 31 anos, é uma continuidade dessa prática cinco vezes centenária, no Brasil. Líder ambientalista, a vítima se colocava contra a continuidade do desmatamento na Amazônia.

Infelizmente, apesar dos contínuos avisos das entidades ambientalistas, ele foi brutalmente assasinado no quintal de sua casa. À queima roupa. Não apenas ele foi morto, como também vários outros, depois dele, também foram e continuam sendo assassinados.

Desenvolvimento sustentável

Por conseguinte, Chico Mendes hoje é símbolo da luta por um desenvolvimento sustentável, no Brasil. Não só para garantir acumulação de riqueza, bem como assegurar a sobrevivência das gerações futuras.

Afinal de contas, não é conveniente ao país virar um imenso buraco cheio de gente doente e sem amparo. Todavia, é isso que vai acontecer caso sigamos com uma política de arrasa florestas, como vem sendo apregoada.

Na esteira da qual, continuarão tombando novos Chicos Mendes, principalmente na Amazônia. Uma atitude, além de selvagem e anticivilizatória, totalmente burra, já que estamos matando nossa galinha de ovos de ouro.

Fontes

https://www.sohistoria.com.br/ef2/descobrimento/p6.php

http://circuitomt.com.br/editorias/artigos/110110-o-roubo-do-paubrasil.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Mendes

(Sérgio Botêlho)

Enfim, Chico Mendes passa a fazer parte das memórias do Para Onde Ir.

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