Sérgio Botelho – A foto que motiva o texto desta sexta-feira, 03 de julho, mostra um cenário urbano bastante emblemático da capital paraibana da década de 1930, mas com equipamentos que marcaram a vida pessoense pelas de 1940, 1950 e 1960.
Vemos na foto o antigo Cine Metrópole, em sua arquitetura inicial, na região que, pelo menos até os anos 1940, constituía um bairro da cidade chamado de Cruz do Peixe, entre as atuais praças Caldas Brandão e Tiradentes.
Criado na década de 1930, o Metrópole, na esquina das avenidas Bento da Gama e Juarez Távora, evoca a época dos cinemas de rua, na cidade, quando João Pessoa chegou a ter entre 20 e 30 salas, contadas no decorrer da primeira metade do Século XX até a década de 1970.
A pequena praça que fica em frente ao prédio do antigo Metrópole, entre a Juarez Távora e a Epitácio Pessoa, ainda hoje é chamada, até por quem nunca viu o velho cinema funcionando, como Praça do Metrópole, ao invés do seu nome oficial, que é Marco do Lions.
Também na foto vemos o bonde, um dos mais significativos meios de transporte da vida urbana pessoense. Os trilhos da imagem compunham o eixo de circulação da linha que chegou a Tambaú, através de Tambiá, Cruz do Peixe, Torre, Expedicionários, Tambauzinho e Miramar.
Enfim, a imagem exibe uma marinete que, junto com os bondes, estavam entre os primeiros meios de transporte da cidade, antes que os ônibus substituíssem os dois, numa cidade que se fazia cada vez maior e mais dominada pelos automóveis.
A marinete, o bonde e seus trilhos, e o Cine Metrópole, assim, num só enquadramento, expõem contornos poéticos não necessariamente motivados pelo saudosismo, mas de muita afetividade por um tempo mais devagar de João Pessoa, hoje, tão metropolitana e imparável.
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba.
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Cine Metrópole, o bonde e a marinete
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