
Sérgio Botelho – Entre os Séculos XIX e XX houve forte expansão internacional do mercado do algodão, com a Paraíba em excelente posição no ciclo. Assim, as primeiras décadas do XX foram de significativas mudanças urbanas na capital paraibana.
A foto que ilustra o texto é do belo coreto da Praça Venâncio Neiva, obra do arquiteto italiano Paschoal Fiorillo. A praça, inaugurada em 23 de julho de 1917, no embalo do ouro branco, ficou mais conhecida pelo nome de um de seus equipamentos, o Pavilhão do Chá.
Segundo descrição do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba (Iphaep), o referido coreto, em formato circular, tem uma área de projeção com aproximadamente 52 m², refletindo estilo eclético, com características neoclássicas.
Fiorillo fez parte de um grupo de arquitetos italianos que produziram equipamentos urbanos e prédios marcantes para a história da cidade. Além de Fiorillo, havia Hermenegildo Di Lascio e Giovanni Gioia, todos com obras de reconhecida importância para a cidade.
Entre os projetos pensados e executados por Fiorillo, além do coreto da Praça Venâncio Neiva, destacam-se a balaustrada da mesma praça, o Grupo Escolar Thomaz Mindello e uma reforma no Palácio do Governo, atual Museu da História da Paraíba.
O detalhe é que Paschoal Fiorillo contraiu núpcias, em 1916, com uma paraibana, descendente de italianos, Maria Ciraulo, irmã de Otílio Ciraulo, que mais tarde se fez major e marcou época em João Pessoa.
Paschoal Fiorillo e Maria Ciraulo se mudaram para o Rio de Janeiro, segundo consta, no início da década de 1920, e passaram a viver na capital federal, onde geraram descendência. Mas o nome do arquiteto ficou gravado em pedra e cal na paisagem pessoense.
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais.
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