00Sérgio Botelho – Não por mero acaso a Academia Paraibana de Letras é chamada de Casa de Coriolano de Medeiros. Foi esse cidadão, ilustre filho de Patos, que também possui seu nome firmado na história da Escola Técnica Federal da Paraíba, quem fundou a casa do pensamento paraibano.
Firmado para sempre, no caso, porque ele também dá nome ao prédio onde funcionou a Escola de Artífices da Paraíba, posteriormente Escola Técnica Federal, na Avenida João da Mata, criada e dirigida por ele até o peso da idade impedi-lo de continuar. O prédio serve hoje à Reitoria do Instituto Federal da Paraíba, no mesmo lugar de sempre e com as mesmas características originais.
Visando superar uma dívida com o pensamento brasileiro, já que a Paraíba era o único estado a não ter sua casa destinada a reunir os homens de letras, Coriolano, que além de escritor, era historiador, folclorista, musicólogo, poeta, jornalista e, especialmente, educador reuniu mais outros eminentes interessados no assunto e, juntos, fundaram a APL. O fato histórico para a cultura paraibana aconteceu no dia 14 de setembro de 1941.
O local da reunião, embora improvisado, não poderia ter sido melhor: a Biblioteca Pública do Estado da Paraíba. A qualificação academia, uma tradição europeia, toma emprestada da velha Academia fundada por Platão e sua fabulosa turma de filósofos e pensadores ali por volta de 387 antes de Cristo, e que durou até o Século VI depois de Cristo. O mesmo que fazem as universidades, com absoluta procedência.
Os acadêmicos originários andaram vagando por algum tempo em endereços da cidade de João Pessoa. Eram eles: Coriolano de Medeiros, Cônego Mathias Freire, Horácio de Almeida, Oscar de Castro, Luiz Pinto, Rocha Barreto, Álvaro de Carvalho, Durval Albuquerque, Veiga Júnior, Celso Mariz e Hortêncio Ribeiro. Chegaram a se reunir em casas deles mesmos.
Então, seis anos depois de fundada, os acadêmicos paraibanos adquiriram o imóvel onde atualmente se encontram, que pertencia à Ordem Terceira do Carmo. Já em 1981, ainda em seu primeiro governo, Tarcísio Burity doou uma casa vizinha à que havia sido comprada para a Academia, permitindo a junção dos dois imóveis em um único. Mas não ficou nisso, porque o prédio definitivo de hoje acabou passando por reformas ao longo do tempo, todas elas com fixa preocupação de manter aspectos originais e de época, inclusive fortalecendo a caracterização histórica.
Nesse sentido, convém transcrever o que diz o Memória João Pessoa, mantido pelo Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPB: “…foram-lhe devolvidos elementos arquitetônicos do período colonial que já não mais apresentava – como o telhado de beira seveira, as janelas de guilhotina, etc. Por outro lado, a porta principal que se encontrava rebaixada (…) foi transformada em janela, transferindo-se o acesso ao interior do edifício para a fachada lateral através do jardim, o qual recebeu um novo tratamento paisagístico”.
A Academia Paraibana de Letras, que começou com 11 membros (os fundadores), hoje evoluiu para 40, cada cadeira com o seu patrono, nas ilustres figuras de Augusto dos Anjos, Arruda Câmara, Albino Meira, Adolpho Cirne, Alcides Bezerra, Aristides Lobo, Arthur Achiles, Afonso Campos, Antonio Gomes, Cardoso Vieira, Cordeiro Sênior, Coelho Lisboa, Diogo Velho, Eliseu Cézar, Eugênio Toscano, Francisco Antônio Carneiro da Cunha, Gama e Melo, Irineu Joffily, Irineu Pinto, Joaquim da Silva, Maximiano Machado, Maciel Pinheiro, Neves Júnior, Pedro Américo, Perillo Doliveira, Pe. Inácio Rolim, Pe. Azevedo, Pe. Lindolfo Correia, Rodrigues de Carvalho, Santos Estanislau, Epitácio Pessoa, Carlos Dias Fernandes, Castro Pinto, Pereira da Silva, Raul Machado, Tavares Cavalcanti, Allyrio Wanderley, Américo Falcão, José Lins do Rego, Mello Leitão.
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