Sérgio Botelho – Entre as minhas lembranças de infância e primeira juventude, no campo político paraibano, vivia, embora envolta em sombras memoriais, a figura de Drault Ernanny, um político bastante saliente nas décadas de 1950 e 1960.
Um acontecimento nesta quinta-feira, 27, de repercussão nacional, me levou de volta à existência de Drault na história política da Paraíba. Envolvida em graves acusações de sonegação fiscal na casa dos bilhões, a Justiça e a PF bateram às portas da Refinaria de Manguinhos e de seus dirigentes.
Drault tem tudo a ver com as origens da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, na década de 1950. Grupo liderado pelo paraibano, criou a Refinaria do Distrito Federal, tempos depois rebatizada como de Manguinhos.
A refinaria começou a operar sob o impacto da campanha nacionalista “O petróleo é nosso”. Na época, tinha capacidade para refinar 10 mil barris diários, atendendo boa parte do consumo de combustíveis do Rio.
O projeto enfrentou resistência das grandes multinacionais do setor, as chamadas “sete irmãs”, que dominavam a venda de derivados no Brasil. Houve pressão sobre o fornecimento de petróleo para Manguinhos.
No ano anterior, o presidente constitucional Getúlio Vargas sancionou a Lei n.º 2.004, que criou a Petrobras. As refinarias privadas que já existiam, como Manguinhos, puderam continuar, mas sob regras específicas.
Drault Ernanny nasceu pobre, em São José dos Cordeiros, trabalhou com gado, no Sertão, vendeu terços e rosários e, ainda jovem, se transferiu para o Rio, onde se formou em Medicina, vivendo ativamente a campanha contra a Febre Amarela.
O casamento com Myrian Chagas, mineira, de família rica e tradicional ligada ao café, educada na Suíça e fluente em francês e alemão, lhe possibilitou apoio financeiro para a fundação do Banco do Distrito Federal.
Drault Ernanny de Melo e Silva foi Senador da República, entre 1952 e 1954, e deputado federal por duas legislaturas pelo PSD da Paraíba, entre 1955 e 1963, figurando, em 1932, entre os fundadores da Companhia de Cimento Portland, em João Pessoa.
No campo da escrita, publicou o livro de memórias “Meninos, eu vi… e agora posso contar”, pela Editora Record, em 1988. Morreu no Rio de Janeiro, em 20 de março de 2002, com quase 97 anos.
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