Sérgio Botelho – O espaço geográfico do bairro do Cordão Encarnado de João Pessoa tem muito das origens da cidade. Mais abaixo, na atual Ilha do Bispo, estavam aldeados os Tabajaras, sob a liderança do velho cacique Piragibe, uma das pilastras humanas em que se ergueu a Filipeia de Nossa Senhora das Neves, em 5 de agosto de 1585.
Não aleatoriamente, Piragibe nomeia uma das principais ruas da parte histórica da cidade, justamente a que nos leva da Praça Venâncio Neiva até as imediações do Sanhauá, no rumo da Ilha do Bispo. É ela que demarca um dos extremos do Cordão Encarnado, servindo de marco à geografia urbana pessoense.
Descer a rua Índio Piragibe é, dessa forma, um exercício afetivo, que começa pelo próprio Pavilhão do Chá e a vetusta General Osório. Imediatamente paralela à icônica rua da República, também referenciada pela Praça Venâncio Neiva, em seu trajeto, a Índio Piragibe passa por ruas com narrativas históricas indeléveis.
Pela sua calçada norte, após passar em frente à emocionante Casa da Vovozinha, de iniciativa espírita, por exemplo, o primeiro grande encontro é com a velha rua do Melão, atual Beaurepaire Rohan, a mais tradicional do velho Comércio. Por meio dela é possível chegar à Praça Pedro Américo e a tudo quanto de histórico lhe rodeia.
A próxima ocasião urbana relevante é o encontro com outra tradicional via da cidade, a São Miguel, com sua famosa Igreja de Nossa Senhora da Conceição e as muitas memórias urbanas de outros tempos, como o clube Esquadrilha V e o Cinema São Pedro, além de folguedos históricos formidáveis. Por meio da São Miguel, se chega à Rua da República e à icônica Praça da Pedra, oficialmente, Praça do Trabalho.
Continuando a descida, o próximo destaque é o memorável Cemitério Senhor da Boa Sentença, onde foram sepultadas algumas das figuras mais ilustres da nossa história, assim como centenas de milhares de heróis anônimos da vida diária pessoense. Um solo sagrado a necessitar de cuidados urgentes e permanentes.
Passando em frente à velha e arruinada Faculdade de Medicina e pelo muro dos fundos da antiga unidade fabril das Indústrias Matarazzo, você se encaminha para o final da Índio Piragibe, em meio a um intrincado e muito moderno sistema de vias expressas, e se vê bem próximo ao Sanhauá, à Ilha do Bispo e a Barreiros, hoje cidade de Bayeux.
Você terá chegado ao fim da icônica Rua Índio Piragibe e de um passeio notável.
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