RAPIDAMENTE. Uma reflexão pesarosa sobre o Rio Jaguaribe e sua gente

Sérgio Botelho
Li ontem postagem de meu amigo Antônio Gomes, sociólogo de sólida formação e de pendor humanista irreversível, nos espaços do Facebook. Nossa amizade foi forjada na Academia, onde aprendi a admirá-lo ao tempo em que exerci, por dois anos, monitoria na cadeira de Sociologia. Estou falando da UFPB. (Uma breve trajetória acadêmica, a minha, que, apesar de elogiada à época, me desculpem a falta de modéstia ao registrar, por professores e alunos, nunca passou disso, por motivações restritamente nossas).
Na referida postagem, ele me sugeriu falar sobre o Rio Jaguaribe que, da mesma forma que os rios Cabelo, Cuiá e Sanhauá, nasce e desemboca em pontos geográficos da própria cidade de João Pessoa. Ele expôs, na citada postagem, sua admirável empatia para com o sofrimento do rio e dos desvalidos habitantes de suas margens.
É que a pobreza, por ser extremamente degradante, vincula ao sofrimento toda a natureza ao redor dos que padecem. No caso dos ribeirinhos do Jaguaribe – contados na casa das milhares de famílias, domiciliadas em um local com rede de esgotos bem longe do aceitável -, grande parte do lixo e dos dejetos que produzem seguem direto para o leito do rio.
O fato deplorável é que o rio, que possibilitou a primeira grande fonte d´água potável destinada ao consumo da população pessoense, a partir da Mata do Buraquinho – esta, uma parte até hoje preservada da Mata Atlântica -, está arruinado. A partir de logo depois das Três Lagoas, onde nasce, até o rio Paraíba, onde deságua, o Jaguaribe é um esgoto a céu aberto.
Nessa conformidade, apesar de intervenções do poder público, ao longo do tempo, e mais fortemente, nos últimos anos. Aliás, do mesmo jeito que acontece com o Cuiá e o Cabelo, já citados, e suas comunidades ribeirinhas. Portanto, para que o dantesco quadro um dia venha a ser solucionado é preciso que necessariamente sejam superadas as imensas desigualdades sociais que deslocam os paupérrimos para as margens do rio.
Enquanto essas desigualdades não forem resolvidas, que são as causas, os efeitos, no leito do rio, em suas margens, em suas palafitas e em suas gentes continuarão sempre piorando. Embora valham as ações paliativas. (Sérgio Botelho)

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