
Sérgio Botelho – Em 17 de outubro de 1873, quando tomou posse na Presidência da Província da Parahyba do Norte, Silvino Elvídio Carneiro da Cunha estava voltando ao cargo que brevemente assumira entre abril e junho de 1869.
Nascido na cidade da Parahyba (atual João Pessoa), em 31 de agosto de 1831, ele também retornava da missão, confiada pelo Império, que fora a do governar o Maranhão. Antes, havia administrado, pela ordem, Rio Grande do Norte e Alagoas.
Líder conservador, o futuro Barão do Abiahy (título conquistado no apagar das luzes do Império, na década de 1880), era um fiel súdito imperial, certamente com competência para receber missões dessa ordem de importância.
Tendo entre seus focos a educação, foi dele a iniciativa de construir o prédio da Escola Normal, na Avenida General Osório, onde hoje funciona a Biblioteca Pública da Paraíba, na esquina com a Peregrino de Carvalho.
Foram do seu governo as providências iniciais para a chegada do trem na província, empresa sob o nome Caminho de Ferro Conde d’Eu, segundo decreto imperial de nº 5.608, de 25 de abril de 1874 (na íntegra, no Portal da Câmara dos Deputados).
Mas nem tudo foram flores em seu governo, tendo enfrentado enorme confusão quando, em Campina Grande, estourou uma revolta popular histórica, a do Quebra Quilos, sob a liderança do mítico João Carga d’Água, rapidamente disseminada em alguns estados do Nordeste.
Formado em Direito, desde 1853, pela Faculdade de Direito de Olinda, Barão do Abiahy faleceu a caminho de Recife, a bordo do vapor Olinda, quando a embarcação já se preparava para atracar, em 8 de abril de 1892, meses antes de completar 61 anos.
(Foto: Silvino Elvídio)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.
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