PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Prensa Abílio Dantas

Prensa Abílio Dantas, na República, entre as avenidas 3 de Maio e Sanhauá.

Sérgio Botelho – Ainda sobre o setor urbano compreendendo a Rua da República e a Avenida 3 de Maio, e mais a Avenida Sanhauá e a rua Professora Analice Caldas, onde existem prédios históricos da arquitetura industrial paraibana, das primeiras décadas do Século XX, temos o que serviu de sede à empresa Abílio Dantas & Cia (que também tinha endereço na rua da Areia). O proprietário chegou a residir na Monsenhor Walfredo, em Tambiá, no prédio que atualmente serve à Superintendência da Administração do Meio Ambiente-Sudema, mandado construir por ele.

Atual prédio da Sudema, na Monsenhor Walfredo, mandado construir por Abílio Dantas

O negócio (na República, entre a 3 de maio e a Sanhauá) era dedicado à prensagem e comércio do algodão, um dos produtos que mais impulsionaram a economia paraibana na primeira metade daquele século. Tinha como vizinhas, de lado e de frente, respectivamente, a Indústria Vinícola Sanhauá e a Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, hoje em dia, todos prédios em ruínas, mas alvos do poder público em possível processo de reforma e requalificação.

Abílio Dantas & Cia chegou a ter atuação significativa para além das divisas paraibanas, com filiais no Rio de Janeiro e Natal. No próprio estado, atuava em Campina Grande e Itabaiana. Houve um tempo, no período áureo da produção e comércio algodoeiro, no estado, que a Abílio Dantas & Cia perfilava entre as grandes exportadoras do chamado ouro branco, para a Europa.

O que possibilitava o desempenho da empresa era a decisão de seu proprietário em modernizá-la, equipando-a com maquinário de alta performance, como, por exemplo, a prensa de algodão hidráulica. Importa saber que a prensagem de algodão é uma etapa fundamental no comércio do algodão, após a colheita, envolvendo a compactação das fibras de algodão em fardos densos para facilitar o armazenamento e o transporte.

Com esse objetivo, a prensa hidráulica, que utiliza a pressão de um fluido para gerar força de saída muito maior do que a de entrada, fazia o diferencial. 

Encontrei registros de viagens e hospedagens em seu nome no circuito aéreo, marítimo e hoteleiro de Rio de Janeiro e de São Paulo, em jornais daqueles estados, que costumavam veicular esse tipo de informação. Foi um dos contribuintes financeiros para a edificação de monumento em homenagem à memória de Francesco Matarazzo, em São Paulo.

Enfim, aproveito para reforçar que todo aquele conjunto arquitetônico industrial em ruínas se encontra no perímetro urbano do Centro Histórico de João Pessoa, de tombamento rigoroso.

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