Ministério do Meio Ambiente muda titular: mudará a política ambiental?

Sérgio Botêlho (Para Onde Ir) – Sobre Salles, a ordem, no Ministério do Meio Ambiente (MMA) era ‘passar a boiada’, quer dizer, praticar uma política ambiental de terra arrasada, desmantelando a ordem legal estabelecida

Ficou famosa – não apenas no Brasil, mas, em todo o mundo – a expressão lavrada pelo agora ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em reunião no Palácio do Planalto, quando recomendou aproveitar a falta de atenção da imprensa “porque só fala de Covid”, para o governo ir “passando a boiada”.

Salles se reportava, e isso ele explicou na sequência, à necessidade de o Planalto ir “mudando todo o regramento, e simplificando normas, de Iphan, de Ministério da Agricultura, de Ministério do Meio Ambiente, de ministério disso, de ministério daquilo… agora é hora de dar de baciada a regulamentação desregulatória (sic) que nós precisamos”.

Daí em diante ele não perdeu mais tempo, acelerando o processo de desestruturação dos organismos ambientais, subvertendo as funções e a autoridade regulatória dos órgãos subordinados ao MMA, desmantelando os colegiados, desestruturando os mecanismos de fiscalização e prejudicando as atividades do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O resultado de tudo isso foi o aumento das queimadas na Amazônia e no Pantanal, vistas, no mundo inteiro, como um inaceitável desastre ecológico, e, assim, indispondo o Brasil, não apenas com os organismos de defesa ecológica, nos diversos continentes, como, da mesma forma, com instituições financeiras e estados nacionais preocupados com o desmonte do meio ambiente, em nosso país.

Ao mesmo tempo, o governo invadiu as atribuições e responsabilidades da Funai, instrumentalizando órgãos diversos para o desmonte de políticas favoráveis às populações indígenas, abrindo amplas clareiras para transformação de terras protegidas e pertencentes aos povos originários, em áreas para a agricultura, a pecuária e a mineração

Contra a política ambiental brasileira levantam-se hoje populações dos países mais desenvolvidos, do mundo, fazendo crescer a resistência internacional ao que se pratica, por aqui, com relação a esse setor considerado vital para o futuro da humanidade, principalmente levando em consideração a sobrevivência humana e da Terra.

Essa indisposição global com respeito à nossa política ambiental atinge, inevitavelmente, a nossa economia, uma vez que os produtos de origem brasileira começam a ser rejeitados pelos povos conscientes, prejudicando, também, os negócios de empresas de outros países envolvidas com produtos brasileiros.

Nesse ponto, chegamos à situação de momento. Um insensível deixou o comando da política ambiental do país e, em seu lugar, assumiu uma outra pessoa que, até agora, tem falado a mesma linguagem que o antecessor. 

Mas, há uma diferença: o outro agia exclusivamente por motivações ideológicas, por interesses próprios e despregadas completamente de qualquer realidade que lhe pertencesse em termos de atividade econômica. O novo ministro tem origem no setor da agropecuária, atualmente muito preocupado com o baixo prestígio dos produtos brasileiros perante o mundo.

Por conseguinte, é possível que esse setor, o da agropecuária, venha a produzir um novo movimento a respeito da defesa ambiental, no país, para salvaguardar os interesses econômicos do agronegócio, no exterior.

Amém!

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