“Pensamento pausado”, à Mirtzi Lima Ribeiro
O texto de Mirtzi Lima Ribeiro, “Pensamento Pausado”, é uma reflexão poético-existencial-neuronal sobre a importância das pausas mentais. Ribeiro descreve esses momentos de inatividade da mente como oportunidades para se desconectar das exigências constantes do raciocínio e se conectar com atividades mais simples e contemplativas. Essas pausas são comparadas à necessidade de afiar ferramentas, sugerindo que o descanso é essencial para manter a eficácia do cérebro quando da retomada de suas funções.
Na sequência, o texto de Mirtzi:
Pensamento pausado
(Mirtzi Lima Ribeiro)
Uma mente hiperativa também tem seus momentos de pausa, aquele instante em que os neurônios se recusam a fazer sinapses e estão de “porre”, greve quase geral.
Acontece uma vez ou outra. O importante é aproveitar esses fragmentos de tempo e viver uns minutos lúdicos, sentir aromas, olhar cores ou empreender alguma atividade que não requeira o funcionamento direto do cérebro físico, mas, a parte etérea, a mente ou os níveis e planos dimensionais mais rarefeitos.
Deixar a massa cinzenta quieta, nos predispõe a ligar as sensações não físicas, que não precisam usar do raciocínio: contemplação, insights, observação, sensações, sentimentos ou apenas usar funções motoras simples.
Essas funções motoras simples seriam, prender um botão, arrumar uma gaveta, varrer um chão, lavar alguma peça de roupa, ir caminhar, parar e assistir o por do sol, sentar frente ao mar a observar as aves e as ondas da praia, olhar o nada, tirar uma soneca, mexer no jardim, fechar os olhos ao ouvir uma música que faz bem ao coração ou algo semelhante a essas atividades descritas.
Essas pausas não são perda de tempo, mas, são similares ao ato de suspender uma capinagem para amolar a enxada ou a foice. Quando a atividade cerebral se normalizar em seu ritmo, virá com mais vigor, ímpeto e bem arrojada.
Seria uma pausa para afinar um instrumento: o cérebro!
Tudo o que é físico em nós, requer pausas para descanso, para recuperar o fôlego, para recarregar as baterias. Por outro lado, nossa perspectiva imortal não cansa porque se abastece na fonte original, nas águas da vida.
Ter momentos de pausa, onde os neurônios descansam um pouco da atuação em primeiro plano e funcionam apenas no modo “avião”, no estritamente necessário, é sabedoria corporal, instintiva, que proteje o próprio corpo da exaustão, de se exaurir porque estará economizando energia e a agitação usual de sinapses.
O pensamento pausado é o intervalo de uma sinfonia para, em pouco tempo, retomar o movimento da orquestra que é o cérebro. E ele é uma apoteose de brilhos, sinais, conexões ágeis e ultra-rápidas.
Portanto, fiquemos felizes e aproveitemos essas pausas.
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