Sérgio Botelho – Andar pela rua da Areia é inevitavelmente um passeio emocionante. Afinal, trata-se de uma das primeiras vias públicas da capital paraibana nos primeiros instantes que a cidade foi subindo a partir do Varadouro. Houve um tempo em que foi chamada de Barão da Passagem em louvor a um militar brasileiro na Guerra do Paraguai. Mas não pegou. Ficou Rua da Areia, mesmo, até hoje. Por tudo o que representa, a rua da Areia será um capítulo especial desta série Parahyba e suas Histórias. Nesta quarta-feira, 19, fiz uma breve incursão àquela artéria com objetivo determinado, qual seja o de visitar dois prédios históricos, em meio a inúmeros outros também na mesma condição. Sobre um deles, escrevo hoje, justamente o que se encontra mais bem cuidado, porque funcional. É o da foto que ilustra a matéria. Nele operam serviços atualmente algumas lojas maçônicas, embora mais reconhecido como sede da Loja Maçônica Grande Oriente da Paraíba. O resultado da utilização é que o prédio está bem apresentável, como se diz. Encontrei, inclusive, um cidadão que bota sentido na construção, aliás, bastante atencioso. Tomo conhecimento que, embora sem uma data exata para sua origem, no final do Século XIX a edificação já existia. Segundo o Memória João Pessoa, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Paraíba, ele foi citado pelo fotógrafo-historiador Walfredo Rodrigues como sendo, no limiar do século XX, a representação da França, cujo cônsul era à época Aron Cahn, alto negociante no comércio de exportação local. Nos anos 1900, o prédio, que até ganhou mais um andar, ficando em três andares, e platibanda (opção arquitetônica que cobre o telhado), serviu como pensionato, Secretaria de Segurança Pública e Instituto Médico Legal. Segundo descrição técnica no Memória João Pessoa, o prédio tem estilo “neoclássico como a verga em arco pleno na porta principal e na do segundo pavimento, e as janelas superiores com a bandeira de vidro”, e está tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba (Iphaep) por meio do Decreto nº. 8.628, de 26 de agosto de 1980. Quando cruzarem por sua calçada, não deixem de prestar-lhe atenção, pois tem história.
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