PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Anayde Beiriz

Sérgio Botelho – Folheando edições da icônica Revista Era Nova, utilizando coleção mantida na Internet pelo Centro de Ciências Humanas Letras e Artes da UFPB, encontrei a bela foto que ilustra a crônica de hoje. Trata-se da mítica Anayde Beiriz bem perto de completar 19 anos.
A essas alturas de sua atribulada vida, já com o curso Normal concluído e professora da Colônia de Pescadores de Cabedelo, ele não tinha a menor ideia da tragédia que lhe tiraria a vida, pouco mais de seis anos após essa foto. A edição é a de número 56, de 30 de janeiro de 1924.
Um ano depois da foto publicada pela revista, Anayde Beiriz foi vencedora de um concurso de beleza promovido pelo jornal carioca Correio da Manhã. A beleza reconhecida, a condição de poeta e de defensora de teses feministas reforçavam em Anayde a imagem de uma mulher à frente do seu tempo.
Em 1928, Anayde iniciou relacionamento amoroso com o advogado e jornalista João Duarte Dantas, ligado à oposição ao então presidente da Parahyba do Norte, João Pessoa. Em 10 de julho de 1930, a polícia invadiu o escritório de Dantas, e levou cartas e poemas de amor trocados entre o casal, guardados em cofre particular.
A vida íntima de Anayde virou assunto de folhetins, com a professora apresentada como mulher “leviana” e “amante”, numa campanha marcada por misoginia e tentativa de humilhar Dantas por meio da reputação dela.
Em 26 de julho de 1930, João Dantas, acompanhado do cunhado Augusto Caldas, entrou na Confeitaria Glória, no Recife, e atirou em João Pessoa, que morreu no local. O assassinato provocou comoção nacional e se tornou um dos estopins da Revolução de 1930.
Preso, Dantas apareceu morto na Detenção do Recife, em 3 de outubro de 1930, um dia antes de rebentar a Revolução de 1930, oficialmente por suicídio. O mesmo aconteceu com Anayde, oficialmente por autoenvenamento. Tinha 25 anos de idade. Uma triste história paraibana.


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