Oremos!

Sérgio Botêlho – Meus amigos. Nesses dias de guerra na Ucrânia, como se tal episódio já não bastasse, um acontecimento aparentemente pueril acabou servindo de mais um alerta à humanidade. Por um errinho de nada, a Índia disparou um míssil que foi parar no vizinho Paquistão.
Para quem não sabe, a Índia, de população majoritariamente praticante do hinduísmo, e o Paquistão, de maioria islâmica, vivem em guerra desde 1947. A região da Caxemira (dividida entre Índia, Paquistão e China) é a causa mais expressiva da pinimba.
É preciso saber também que tanto Índia quanto Paquistão (e, evidentemente, também a China) possuem armas atômicas. Fazem parte de um seleto grupo de nove países, de alta periculosidade para a vida humana na Terra.
(Convém salientar que outras dezenas de Estados já reúnem condições de produzirem suas bombas atômicas, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica. Embora o arsenal dos nove descritos seja mais do que suficiente para dizimar a vida humana).
Desde que os Estados Unidos da América resolveram destruir duas cidades japonesas nos assustadores idos de 1945, que o poder atômico ronda soturnamente o mundo, onde o bem que desenha é bem menor do que o mal que exibe.
No caso do míssil indiano em território paquistanês, enquanto a Índia, encabulada, pedia desculpas meio que sem jeito ao Paquistão, o país muçulmano se limitava a chamar seus desafetos de irresponsáveis. E ficou nisso.
Certamente, o entendimento sem muitos traumas somente foi possível pelo fato, tão fortuito quanto o disparo, de o míssil ter caído em território paquistanês sem provocar vítimas. Embora tenha voado próximo a altitudes de cruzeiro aéreo, pondo em risco voos comerciais. Muita sorte!
Há algum tempo, mais precisamente em 26 de setembro de 1983, um aplicado e atento coronel do Exército da então União Soviética evitou literalmente uma Terceira (e possivelmente definitiva) Guerra Mundial.
O cidadão em pauta chamava-se Stanislav Petrov, que morreu em 2017, e estava entre os que cuidavam do sistema de alerta antecipado, construído para detectar ataques de mísseis balísticos de países da OTAN.
Naquele dia de setembro de 1983, durante o seu mister, Petrov identificou sinais emitidos pelo sistema computadorizado soviético sobre prováveis mísseis estadunidenses que teriam sido lançados contra a URSS.
Bastante desconfiado e do alto da responsabilidade que tinha para com o seu país, para com o mundo e para com ele próprio, o militar soviético resolveu desconhecer o alerta e não acionar respostas balísticas atômicas. O computador estava errado, confirmou-se posteriormente. Pense!
Decerto – não se sabe até quando haverá a interseção da sorte – devem haver outros episódios semelhantes, que desconhecemos, em nossa tão insegura passagem pela história humana mais recente, e que vem sendo escrita com essas endiabradas cores atômicas.
No Brasil, onde ainda reina apenas a perspectiva de receber tiros atômicos, sem chance de revide (o que de nada adiantaria, pois não?!), opiniões desconexas vivem pregando a necessidade de armas. O filho do presidente da República, senador Flávio Bolsonaro, por exemplo, disse dias atrás que “armas salvam vidas”, se referindo à Guerra da Ucrânia. Tem condições?!
Contrariamente ao que diz o parlamentar, as armas na Ucrânia estão servindo para matar não apenas militares envolvidos na guerra – em elevado número, já -, mas sobretudo civis. As armas na Ucrânia são instrumentos de morte e não de vida. Assim como acontece na Síria, na Somália e em diversos países do mundo, e pela história há séculos.
Imagine o que pode ocorrer ao mundo se, diante do desassossego causado pela guerra, a aconselhar mãos nervosas e mentes irresponsáveis, for disparada alguma arma atômica, (por um equívoco, qualquer, vá lá!) com imediatas respostas continentais e intercontinentais. Acabou a aventura humana na Terra!
No caso de nós outros, pouca coisa temos a fazer, a não ser registrar os nossos temores, reclamar e rezar muito para que as mãos que têm o poder de acionar armas atômicas se mantenham longe dos botões respectivos.
O importante seria, evidentemente, a destruição de todas as armas atômicas existentes no mundo. Uma resolução, porém, de crescente dificuldade na atual realidade mundial, onde os líderes parecem surdos a tais apelos, mais afeitos à guerra do que à paz.
Nesse ínterim, oremos!

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