Sérgio Botelho – Estou gostando de escrever, mais no período da tarde, estes textos sob o título de Prosa Cultural. Prosa, porque procura usar linguagem simples.
O meu tema desta tarde é “O que tem além dos livros num sebo?”. Para quem não sabe, um sebo é uma livraria de livros usados. Vende também revistas antigas, discos, jornais, quadrinhos, cartões-postais e outras peças de papel ou coleção.
Em Brasília, foram meus amigos de largada os livreiros Hildebrando e Rita Varela, estabelecidos há décadas na Universidade de Brasília, mas que também negociavam, por encomenda, livros raros. Viramos consogros.
Era emocionante observar a relação que eles mantinham (aliás, mantém porque estão vivíssimos) com os livros, alguma coisa de afeto que vai muito além do simples valor comercial da mercadoria que negociam.
Para que o negócio do sebo flua, contudo, os livreiros têm de reconhecer autores, coleções, editoras, capas antigas, dedicatórias, carimbos, anotações nas margens e até o tipo de leitor que pode se interessar por cada exemplar, o que os coloca no campo do trabalho intelectual.
Sem desmerecer outros sebeiros, nem fazer propaganda, mas já fazendo, aqui em João Pessoa o mais forte destaque dessa área do comércio de livros entre nós é o Sebo Cultural, de Heriberto Coelho, a grande referência do setor na cidade, e com fama nacional sacramentada.
A sede do empreendimento fica na Avenida Tabajaras, vizinho do Sistema Correio da Paraíba. O que você encontra quando entra por lá é um mundo de tudo o quanto um sebo se dispõe a negociar. É grandioso!
O livro do sebo muitas vezes vem com marcas, dobras, anotações, dedicatórias, carimbos, e até bilhetes, cartas e notas esquecidas. Outras vezes, com o nome de quem o teve antes. Ou seja, ele não chega a você sozinho, não raramente.
Mais do que um depósito de livros e correlatos, o sebo é um arquivo sentimental.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor
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