PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Carnaval de Salão em João Pessoa

Sérgio Botelho – Entre as décadas de 1920 e 1970, João Pessoa viveu intensamente os bailes de Carnaval de salão. Os clubes promoviam as festas à base de orquestras e entrada restrita aos sócios.

O tema me atiçou a lembrança por conta de estarmos vivendo mais um período carnavalesco na cidade, de configuração bem diferente daquela que predominava na primeira e em parte da segunda metade do século XX.

Minhas recordações vão além da simples pesquisa histórica, uma vez que vivi intensamente esses carnavais, entre a infância e a adolescência.

Houve tempo em que coexistiram clubes para todos os gostos e em quase todos os bairros de João Pessoa, com salões geralmente lotados de foliões, mantendo programação e linguagem próprias.

Numa listagem, tenho necessariamente de iniciar pelo Astrea, o pioneiro, que começou na Duque de Caxias, ainda no século XIX, e se mudou para Tambiá na década de 1930. Depois, o Cabo Branco, começando em Jaguaribe, passando pelo Centro e, enfim, no Miramar.

Na década de 1920, surgiu o Clube dos Diários, na Duque de Caxias com Peregrino de Carvalho, reunindo a nata da sociedade em noitadas de black-tie. Mas houve também o Boêmios Brasileiros, no Ponto de Cem Réis, e o Esquadrilha V, na São Miguel (Varadouro).

Havia igualmente o dos Subtenentes e Sargentos do Exército, em Jaguaribe; o Independente, na Praça da Independência; o Internacional, em Cruz das Armas; o América, no Varjão; o Veteranos, em Jaguaribe; e o Guarany, no Róger.

Colhi também notas, em A União, sobre o Paraíba Clube, na Floriano Peixoto, em Jaguaribe, com carnavais de salão nas décadas de 1930 e 1940. Já na segunda metade do século XX, aparecem, cercados de glamour, o Iate Clube, no Bessa, e o Jangada, no Cabo Branco.

Isso sem falar nos carnavais de salão promovidos por cabarés famosos da cidade, com entrada controlada não apenas para evitar menores, mas também gente sem muita cara de quem ia gastar.

Ao menos na dimensão que existiu o Carnaval de salão, não há mais.

(Na foto, o antigo prédio que serviu ao Clube dos Diários e ao Cabo Branco)

Sérgio Botelho é jornalista e escritor

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