Natureza e nuances do amor no poema ‘Substantivo’, de Albiege Fernandes

Para Onde Ir/Sérgio Botelho – O poema “Substantivo”, de Albiege Fernandes, é encantador em sua simplicidade e profundidade. Ele usa metáforas naturais para descrever o amor de uma forma muito vívida e sensorial. O amor é comparado a elementos naturais com características distintas – como oAlbiege, Bia cheiro da chuva, a cor do flamboyant, a leveza de uma folha seca e a visibilidade de um caju no alto de um cajueiro. Essas comparações não apenas trazem uma riqueza de imagens ao poema, mas também sugerem a complexidade e as diversas facetas do amor.

Além do mais, o amor é apresentado como algo que pode ser ao mesmo tempo nutriente e esgotante, mostrando como pode ser uma fonte de vida e ao mesmo tempo levar à solidão. A dualidade do amor é capturada na forma como ele é simultaneamente leve e marcante, fácil de ver e sentir, mas também capaz de causar impactos profundos.

Substantivo

(Albiege Fernandes)

Tem cheiro bom o meu amor.

Cheiro de chuva e cor

de flamboyant

No verão

O meu amor é leve

pesa o mesmo

que uma folha seca viajante

Ele se deixa ver como

um caju vermelho

no alto do cajueiro plantado

noutra cidade

De longe

se vê

se toca e

se morde

O meu amor me nutre.

Mas também me definha.

O meu amor vive

e morre num dia

ou em cem anos

de solidão.


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