PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Sobre o marco zero de João Pessoa

Foto de Ortilo Antônio, em A União

Sérgio Botelho – Chama-se marco zero o ponto geográfico a partir do qual se medem distâncias rodoviárias e urbanas ou então representa o provável local de fundação de uma cidade, podendo ser as duas coisas ao mesmo tempo. Daí, se põe no lugar uma estrutura física com inscrições que referenciam seu significado, virando atração dos centros históricos das urbes.

Fora de João Pessoa, conheço dois. O primeiro, o do Recife, talvez o mais famoso, expressa ambas as funções, ou seja, a de ponto inicial para a medição de distâncias e a de fundação da cidade. Fica na Praça Rio Branco, no bairro mais conhecido como Recife Antigo, local icônico da folia carnavalesca pernambucana, por isso tão célebre.

O outro é o de São Paulo, localizado na Praça da Sé, instalado na década de 1930, que apenas sinaliza o ponto central do sistema viário paulista, de ruas e rodovias, com gravuras simbolizando a direção de diversas regiões do país, já que a cidade teria nascido mesmo no Pátio do Colégio, ali perto.

Em João Pessoa, a identificação do marco zero ainda gera debate. Nascida às margens do Rio Sanhauá, nos idos de 1585, suas primeiras construções ocorreram ali mesmo, nas imediações do Porto do Capim, destacadamente um fortim que serviu não somente à defesa da cidade, como também à moradia dos primeiros capitães-mores.

Foi a primeira construção um pouco mais encorpada, em termos de engenharia e arquitetura, já que as demais eram muito rudimentares, inclusive a igreja, no alto, dedicada a Nossa Senhora das Neves. Ademais, era a defesa, naqueles tempos de pirataria francesa e de instável relação com os indígenas, a primeira grande preocupação dos conquistadores.

Acontece que o fortim desapareceu no monturo dos tempos, embora no início do Século XXI escavações na Igreja de São Frei Pedro Gonçalves tenham posto a descoberto vestígios de alguma coisa em estrutura de pedra que pode remeter à dita cidadela.

Hoje em dia, há dois pontos na capital paraibana sobre os quais se diz representar o marco zero. O primeiro, na Praça Napoleão Laureano, de frente para a Estação Ferroviária, no Varadouro, no formato de um monumento, com rosa-dos-ventos e pirâmide.

O outro é uma pedra colocada ao lado do adro da Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, na Praça Dom Ulrico, ali assentada pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, em 1922, ao mesmo tempo em que era erguida, a metros, a estátua representando Nossa Senhora de Lourdes, também oriunda do Rio Grande do Norte.

Para muitos, se trata apenas de um marco geodésico, igual a outros semelhantes espalhados pela cidade, destinado a assinalar a altura do terreno em relação ao nível do mar, necessários a obras de engenharia e à elaboração de mapas. Difícil saber de toda a verdade pois, tirante a data e a referência ao estado vizinho, as demais inscrições não mais existem.

Em 24 de novembro de 2019, contudo, a Câmara Municipal derrubou um veto do prefeito e promulgou o Projeto de Lei 677/2018, fixando oficialmente o marco zero, como ponto de origem da cidade, na Praça Dom Ulrico, ao lado da Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves.

Virou oficial.


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