
Sérgio Botelho – A utilização do álcool na condição de combustível alternativo à gasolina, nos meios de transporte, teve seu maior impulso na década de 1970, mais precisamente, em 1973. Em virtude do apoio dos Estados Unidos a Israel, na Guerra do Yom Kippur, os árabes decidiram embargar a venda do petróleo aos países que apoiavam o Estado Judeu.
O resultado foi um aumento extraordinário do preço do petróleo, no mundo. Então, em 1975, foi lançado o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), incentivando a produção e o uso do etanol como combustível alternativo. Contudo, as raízes da utilização do álcool como combustível automotivo vem de muito antes. E o paraibano José Américo de Almeida tem muito a ver com essa história.
Em 8 de janeiro de 1931, em vista à Estrada de Ferro Central do Brasil, no Rio de Janeiro, então capital federal, Américo, recém-empossado como Ministro da Viação do governo Getúlio Vargas, após a Revolução de 1930, ficou positivamente impressionado com a utilização do então chamado alcool-motor. Ele mesmo foi passageiro, em um trajeto de 84 quilômetros, numa das automotrizes da Central, que experimentava o derivado da cana de açúcar.
A expressão “serviços automotrizes” se refere aos trens movidos por veículos ferroviários com motor próprio, que não dependiam de locomotiva para tracioná-los. As automotrizes, inicialmente a vapor e depois a diesel e gasolina, vinham sendo incorporados pela Estrada de Ferro Central do Brasil, uma das principais ferrovias do país, inicialmente, em trajetos mais curtos.
“As automotrizes em tráfego consomem atualmente a média de 30 mil litros de gasolina por mês. Resolvi, portanto, que seja adotado o consumo de álcool na Estrada de Ferro Central do Brasil, dentro do mais breve prazo possível”, declarou o ministro paraibano, sobre sua experiência pessoal e conversas com técnicos, segundo reportagem do jornal carioca A Noite, em sua edição de 8 de janeiro de 1931, em matéria de capa.
Mas não ficou nisso. José Américo ficou no Ministério da Viação até julho de 1934. Logo em 20 de fevereiro de 1931, o governo Vargas estabeleceu, por meio do Decreto 19.717, de 20 de fevereiro de 1931, a obrigação de os importadores de gasolina adquirir álcool na proporção mínima de 5 %, visando “criar um mercado cativo ao novo combustível”.
Depois disso, em agosto de 1931, foi criada a Comissão de Estudos sobre o Álcool-Motor. Em dezembro do mesmo ano, o governo criou a Comissão de Defesa da Produção de Açúcar. Já o Decreto n.º 22.789, de 01/06/1933 fundiu as duas comissões, criando o Instituto do Açúcar e do Álcool, o famoso IAA. E mais: em 06.02.1934, o governo federal baixou o Decreto 23.837, definir o uso de álcool-motor em automóveis de propriedade ou a serviço do Estado.
Desde 1925, contudo, que o Estado de São Paulo vinha construindo caminhos legais para a utilização do alcool-motor, em virtude do aumento exponencial de sua produção de cana de açúcar, em concorrência direta com o Nordeste. No entanto, foi na década de 1930 que o assunto virou programa federal. Especialmente, depois daquele passeio do ministro da Viação José Américo, na Estação Central do Brasil, e de suas peremptórias declarações.
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