Janela partidária é indicativo importante para as definições sobre federações partidárias; Paraíba é exemplo de dificuldades
Sérgio Botêlho, no Escaninho Político – Passado o Carnaval e tendo início o mês de março (a partir desta quarta-feira, 02, a 7 meses da eleição), é hora de pensar na disputa de outubro próximo como algo mais perto e, portanto, mais estimulador às análises e ações do que até agora o foi.
Março é um mês de importantes definições. Desta quarta-feira, 03, até o dia 1º de abril fica oficialmente aberto o período em que é possível mudar de partido sem que o mutante venha a sofrer os rigores da lei contra a infidelidade partidária.
Nesse período, vai ser possível compreender, um pouco mais perto da realidade, os posicionamentos individuais e coletivos sobre apoios a campanhas majoritárias à Presidência da República e governos estaduais.
Embora tenham um prazo um pouco mais dilatado para formação (31 de maio), as federações partidárias ficarão bem mais explícitas no interior do processo de transferências partidárias deste mês de março.
Como todos sabem, a federação partidária se constitui em um novo formato de organização das siglas, que lhes permite se juntarem legalmente para a disputa eleitoral. Mas, não somente isso.
Diferentemente das antigas coligações eleitorais, derrubadas pela reforma eleitoral de 2019, na parte proporcional da disputa (vereador, deputado estadual e deputado federal) as federações têm validade pelos 4 anos seguintes à eleição.
Dessa forma, o conjunto dos candidatos que disputarem o pleito proporcional, sob o mesmo manto de uma federação partidária, terão de preservar a unidade nos respectivos parlamentos nos mesmos moldes de um partido até a próxima eleição.
Ao perder a concepção meramente oportunista de juntar votos no pleito, como era o caso das coligações partidárias, os candidatos deverão pensar mais dedicadamente sobre o passo com destino a uma federação partidária.
Até agora, não surgiu nenhuma concepção real de federação partidária, embora haja ideias no ar das esquerdas às direitas. Portanto, a janela aberta nesta Quarta-Feira de Cinzas para as mudanças individuais de partidos será importante espaço de leitura político-eleitoral.
Porém, as decisões não devem ser tão fáceis. Se uma proposta de federação partidária é válida para a disputa em determinado estado, não o é necessariamente para outro, nem tampouco para a lógica da disputa presidencial.
Vejamos o caso da Paraíba. A saber, a federação das esquerdas de que se fala, no plano nacional, reuniria, no estado, o PT, de Ricardo Coutinho, o PSB de João Azevedo, o PCdoB, o PV, o PSOL e quem sabe a REDE. Que, na prática, tendem a seguir divididas em solo paraibano.
Ricardo, que voltou ao PT com poder de mando após o velho e barulhento racha de 19 anos atrás, aponta para o apoio a Veneziano, que é do MDB (apesar da resistência de petistas que permaneceram na sigla desde os primeiros tempos). Mas o PSB do governador João Azevedo tem ele próprio como candidato.
Enquanto isso, o PCdoB já se definiu pelo apoio ao atual governador, o que também são os casos de PV e Rede. Já o PSOL deve ter candidato próprio, na Paraíba. E assim a barca das esquerdas deve navegar no rumo do pleito de outubro, com apoio duplo a Lula, no palanque presidencial, o que deve servir de substrato à decisão do ex-presidente nos apoios dele ao governo da Paraíba. É pinimba!
Pois bem. Neste mês de março, tudo isso começa a ser mais ou menos construído ou desconstruído. Assim é que tem início, para valer, a contagem regressiva ao pleito de 03 de outubro deste ano da Graça de 2022. Ano brabo, no Brasil e no mundo! Destaques da Economia na Grande Mídia Destaques da grande mídia impressa
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