PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A estátua de Augusto dos Anjos na Academia Paraibana de Letras

Sérgio Botelho – Há uma estátua de Augusto dos Anjos, representando o poeta em tamanho natural, nos jardins da Academia Paraibana de Letras, voltada para o Centro Cultural São Francisco, obra do escultor Jurandir Maciel. Ali foi posta em 2014, por ocasião do centenário de morte do poeta paraibano, numa iniciativa do então presidente da APL, Damião Ramos, com o socorro financeiro da Fundação Ormeu Junqueira Botelho, do Grupo Energisa.

Pois não é que, em pleno fevereiro deste ano de 2025, roubaram a bengala que compunha a imagem de Augusto, na APL? Mais um ato de vandalismo contra a nossa memória, que já mutilou tantos outros monumentos dedicados a figuras históricas da Paraíba.

A ação, como era de se esperar, causou indignação entre todos os que valorizam a preservação de nossa história e o fortalecimento dos vínculos que nos unem à identidade local. Ainda mais, em se tratando da estátua do autor de Versos Íntimos, exposta no panteão de nossa literatura.

Na última quinta-feira, 26, porém, tive a satisfação de constatar que a bengala de Augusto foi reposta na estátua. Antes de participar de mais um Pôr do Sol Literário, na Academia, fotografei a feliz imagem, que reproduzo junto com este texto de hoje. Naturalmente, procurei saber como o atual presidente da entidade, o escritor Ramalho Leite, deu conta da difícil tarefa.

Fiquei sabendo, então, que, orientado pelo próprio escultor Maciel, diante de dificuldades praticamente intransponíveis para a reposição específica da peça roubada, foi utilizada madeira, com acabamento em verniz náutico, restaurando a leitura visual da obra.

Quem me informou sobre a engenharia artística empregada foi o historiador e curador Augusto Moraes, ele próprio executor técnico da bem-sucedida tarefa. E, assim, a Augusto dos Anjos foi devolvida a dignidade de sua bengala.

Importa insistir: essas estátuas são pontos de partida para a educação da sensibilidade e da cidadania. Elas nos convidam a conhecer não só os feitos, mas as ideias e os sentimentos que moldaram a cidade. E mais: revelam o quanto a literatura pode ser um bem público, inscrito na paisagem urbana como um livro aberto.

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