PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Na Rua Direita, surge largo com Casa de Câmara, Cadeia, Açougue e Pelourinho

Sérgio Botelho – Mais uma vez recorro às informações do documento Memória João Pessoa, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPB, para recuperar um marco histórico em João Pessoa, que pode ter servido como ponto de inflexão na trajetória urbana da cidade.

Originalmente disposto na Rua Nova, sem que seja possível saber exatamente as condições do prédio que lhe serviu de sede, ali bem próximo da rudimentar capela de Nossa Senhora das Neves, em 1610 a Casa de Câmara e Cadeia e o açougue se mudaram para a Rua Direita.

À margem da rua, no novo endereço, esses serviços passaram a ser oferecidos em prédios e espaços próprios, num largo que também comportou o Pelourinho, e que hoje tem o nome de Praça Rio Branco, a dos Sabadinhos.

“As obras municipais eram representativas do grau de desenvolvimento de vida local. Nos municípios, a edificação principal era a Casa da Câmara”, explica Nestor Goulart no fundamental livro Evolução Urbana do Brasil, em edição digitalizada, na internet.

Por sua vez, “o símbolo por excelência da dignidade municipal era a coluna de pedra ou, mesmo, um poste de madeira {o Pelourinho} virilmente levantado na praça principal”, segundo Affonso de Taunay, em História Seiscentista da Vila de S. Paulo, citado por Nestor Goulart.

O açougue (único lugar permitido ao abate) era, por conta de sua importância, organizado pela Câmara. Já a cadeia era reveladora, por sua presença, de que a povoação se investira de autoridade para julgar, deter e impor decisões.

Tudo isso tornava a Rua Direita social e politicamente atrativa, garantindo-lhe maior poder de adensamento e valorização, um perfil que acabou por lhe conferir forte relevância perante a urbe. Por outro lado, seu prolongamento na direção sul a conectava à estrada para o Recife.

A Rua Direita virou protagonista da Filipéia de Nossa Senhora das Neves.

(Foto: Rua Duque de Caxias (antiga Direita), início do Século XX)


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