Para Onde Ir – O Para Onde Ir busca no Facebook um dos pensamentos provisórios do acadêmico Hildeberto Barbosa Filho, que também tem muito de poesia, onde há uma profunda reflexão filosófica e existencial sobre viagens, centrada na ideia de identidade e alteridade, que é a relação entre o eu e o outro. A viagem é apresentada não apenas como um deslocamento físico, mas como um movimento essencial para o conhecimento de si e do mundo.
Através da experiência de ser um estrangeiro, ou de estar em um lugar estranho, o viajante torna-se consciente de sua própria existência como algo que é definido em relação a outros. Essa percepção de si mesmo através dos olhos do outro revela uma multiplicidade de identidades possíveis, sugerindo uma fluidez na noção de eu que é radicalmente libertadora.
Na sequência, o pensamento de Hildeberto:
Pensamentos Provisórios
“Quando viajo, me lanço para fora de mim e mergulho dentro do outro. Dentro do outro, vejo-me melhor, ou, o outro que sou parece brotar, na sua inteira e elástica diversidade, dentro de mim. Viajar me diz que sou eu e que sou muitos outros. Também me ensina que os outros me mostram a mim mesmo enquanto eu os descubro na sabedoria da diferença. Só isso já me dá a certeza de que viajar é bom, educativo, libertário. Há bem dizer, nada sou sem o alheio das paisagens, sem o ethos singular de outras culturas, sem o cariz da linguagem a modular a sinfonia de outros sonhos e afazeres. Tatear a pele do outro, saborear o alimento desconhecido, escutar a riqueza melódica de outras partituras, descobrir a volúpia dos lugares imaginários, perder-se no mistério de idiomas intraduzíveis, tudo é possível na magia e na aventura da viagem. Por isso não suporto me imobilizar dentro de mim. A imobilidade é a morte”.
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