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Eleições municipais em João Pessoa

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A pouco mais de um mês das convenções, há indefinições importantes

Sérgio Botelho – Apesar de estarmos afastados dos postos de observação política, mergulhados na exploração de memórias da cidade, em todos os tempos, o processo eleitoral acaba nos capturando, pela sua importância. Especialmente o próximo pleito em João Pessoa, nossa cidade natal, e sobre a qual escrevemos nossas histórias.

Estamos a pouco mais de um mês para o início das convenções e apenas um dos partidos de maior destaque no cenário político da capital paraibana ainda não tem pré-candidato consagrado: o PT. Nem mesmo sabe se vai disputar o pleito com candidatura própria ou se irá compor uma coligação, junto com PSB, PV e PCdoB, ao lado do PP de Cícero Lucena.

A decisão tomada pela direção nacional da legenda sobre o assunto é inconclusa e esbarra ainda em questões locais a permitirem a montagem de cenários opostos a respeito. A concorrer para a indefinição, o propósito de impedir a vitória de candidatos vinculados ao ex-presidente Bolsonaro.

Inicialmente, a executiva nacional petista havia optado por uma pesquisa de opinião pública que definisse a posição partidária entre os deputados estaduais Luciano Cartaxo e Cida Ramos, até agora, os dois únicos postulantes. Posteriormente, uma nova orientação nacional apontou para a necessidade de consenso.

Além do mais, o PT faz parte de uma federação de caráter político-eleitoral, juntamente com o PCdoB e o PV, de validade nacional, mas que comporta decisões locais. No caso de João Pessoa, no momento a dita federação está sob o comando do PCdoB, que já definiu apoio à candidatura do atual prefeito, Cícero Lucena, a princípio, favorita.

O outro partido membro da federação, o PV, a exempolo do PCdoB, apoia Cícero. E, no campo da esquerda, tem o PSB, do principal eleitor neste pleito, no caso, o governador João Azevedo, que também já está apoiando Lucena. O caso deve terminar sendo levado à federação onde se diz que o PT teria maioria. Mas, como se sabe, não existe consenso no partido de Lula, em João Pessoa, sobre o assunto.

Basta saber que o presidente estadual do partido, Jackson Macedo, é contra a candidatura própria, divergindo dos dois postulantes e do único deputado federal do partido, o padre Luiz Couto, partidário da candidatura de Luciano Cartaxo, assim como acontece com o ex-governador Ricardo Coutinho, de olho no pleito de 2026.

As outras duas candidaturas, a do deputado federal Rui Carneiro (Podemos) e a do ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Marcelo Queiroga (PL), cuja tendência é a de se unirem num eventual segundo turno, parecem apresentar densidade eleitoral suficiente para evitar que o pleito seja definido no primeiro turno.

O problema é o segundo turno. Dizia um velho político que em política é preciso evitar feridas que não possam cicatrizar a tempo de rearranjos. Esse é o desafio que enfrentarão os postulantes, em todas as agremiações, no processo de definição de candidaturas partidárias no primeiro turno.

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