Sérgio Botelho – As guerras em curso, com destaque para o Oriente Médio, Síria e Ucrânia, mostram o quanto a humanidade se encontra distante de uma realidade onde pontifique a fraternidade, entendida como uma das regras fundamentais que orientam a busca por uma sociedade mais justa – e, portanto, pacífica -, dentro dos princípios que regem o humanismo.
Mas não somente as guerras, como também a persistência de um cenário universal de abissais desigualdades sociais e econômicas, onde desesperançados e extensos bolsões de pobreza compõem um quadro geral onde também existem animados e restritos bolsões de riqueza com direito a todos os maravilhosos avanços alcançados pela inteligência humana, indisponíveis aos miseráveis.
A fraternidade representa o laço de solidariedade e empatia que deveria unir todos os seres humanos, independentemente de suas diferenças. Em um contexto de desigualdade, a fraternidade surge como uma chamada à ação moral e social. As disparidades econômicas, sociais e educacionais que existem em muitas partes do mundo são um desafio à nossa humanidade compartilhada.
O humanismo nos lembra que todos os seres humanos têm dignidade intrínseca e que a fraternidade requer que trabalhemos ativamente para combater essas desigualdades. Isso significa lutar por sistemas políticos e econômicos mais justos, onde os privilégios não se acumulem nas mãos de poucos, enquanto muitos lutam para satisfazer necessidades básicas.
Os conflitos armados destroem vidas, comunidades e nações inteiras, e frequentemente surgem de interesses econômicos e territoriais mesquinhos, embalados em diferenças culturais, religiosas ou políticas. E ultimamente o alvo preferencial tem sido crianças, mulheres apenas donas de casas e idosos, como tática mesmo de guerra, o que nos faz retornar diretamente à barbárie.
O humanismo nos lembra que a violência e a guerra são expressões de nosso fracasso em alcançar soluções pacíficas e justas para os conflitos. A fraternidade exige que busquemos meios de prevenir conflitos, promover a diplomacia e respeitar os direitos humanos, mesmo em tempos de tensão internacional.
A fraternidade, assim como a liberdade e a igualdade, é um dos valores centrais da Declaração Universal dos Direitos Humanos, estabelecida como postulado universal. Ela expressa a noção de que todos os seres humanos são membros de uma comunidade global e que devemos tratar uns aos outros com compaixão, respeito e solidariedade.
É importante reconhecer que a fraternidade não é um conceito vago ou utópico. É uma chamada à ação que nos desafia a trabalhar em direção a um mundo onde as desigualdades sejam reduzidas, os conflitos sejam resolvidos pacificamente e onde todos tenham a oportunidade de buscar uma vida digna.
O humanismo nos lembra que, apesar das diferenças que nos separam, compartilhamos uma humanidade comum, e é nesse espírito de fraternidade que podemos construir um futuro mais justo e harmonioso para todos.
Frente a um quadro como o que estamos vivenciando hoje em dia, ainda é possível ter esperança em que humanismo e fraternidade venham a imperar no mundo? Ou, antes disso, em função justamente da falta de prestígio cada vez mais crescente desses postulados, os seres humanos acabem mesmo destruídos, como o foram os dinossauros?
Se for assim, haverá uma grande diferença: a destruição humana será obra dos próprios humanos. A dos dinossauros coube a um meteoro que não tinha nada a ver com a vida que eles viviam e as relações que praticavam entre eles, e entre eles e o ambiente ao redor.

