Contra o racismo no futebol e em tudo quanto é canto

Sérgio Botêlho – No campo do futebol, onde a diversidade prevalece, há muito tempo, fazendo a glória do esporte, no mundo inteiro, o Brasil tem sido vítima de atitudes racistas, pasmem, em campos sul-americanos, onde a miscigenação de cores de pele é o que predomina.

Porém, essa história não é tão nova. Em 1921, o então presidente Epitácio Pessoa, único paraibano que ocupou a Presidência da República, recomendou que a seleção brasileira não incluísse negros durante a Copa América daquele ano a ser disputada na Argentina.

Cuidava o senhor presidente de ceder a furibundas críticas feitas pelos hermanos sobre a presença de afrodescendentes em nossa equipe de futebol mais representativa: a Seleção Brasileira.

Dois anos antes, em 1919, os brasileiros haviam conquistado a taça da Copa América, disputada no Rio de Janeiro, com um gol único e muito intensamente comemorado pela torcida, marcado por um filho de alemão com uma negra, chamado Arthur Friedenreich.

O autor da façanha teve direito a uma música composta pelo mestre Pixinguinha, chamada justamente de 1 X 0, exposição de suas chuteiras em uma vitrine de joias no Rio de Janeiro, e desfile em carro aberto na capital paulista, onde nasceu em 1892.

Acontece que antes da realização da Copa América de 1921, um jornal argentino publicou destacada matéria dizendo que ‘macaquitos’ brasileiros estavam chegando para a disputa de uma partida: “São elementos de cor que se vestem como nós e pretendem se misturar à raça americana, gloriosa por seu passado e grande por suas tradições”. Tem condição?!

Atento para o “prestígio” brasileiro, Epitácio Pessoa recomendou, a CBD cumpriu a ordem e só convocou jogadores brancos. Nem Friedenreich, que durante o seu ciclo no esporte marcou 595 gols em 605 jogos, média maior que a de Pelé, foi convocado. Uma vergonha histórica.

O resultado não poderia ter sido outro: um fracasso retumbante. Desmoralizada, a Seleção Brasileira retornou ao país, para nunca mais na vida tomar outra atitude semelhante àquela de 1921. E, em 1922, ano em que a identidade nacional foi colocada em escrutínio por intelectuais e artistas, na famosíssima Semana de Arte Moderna de 22, voltamos a ganhar a Copa América… com negros na seleção, naturalmente.

As investidas racistas de agora voltam a ter origem na Argentina, embora incluam também o Chile e até o Equador. Objetivam, no campo, intimidar torcedores e jogadores visando, pela desmoralização, ganhar as partidas. O objetivo não tem dado certo, ainda bem!

Porém, no campo da luta antirracista é conveniente uma atitude severa que parta das entidades representativas do futebol sulamericano, especialmente a Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), que segundo registros preocupantes, não é muito rigorosa sobre o assunto.

Esses racistas devem ser exemplarmente punidos, juntamente com os clubes que representam, uma vez que suas atitudes não se inscrevem apenas no rol dos mais ridículos posicionamentos entre humanos, o racismo, como simboliza uma violência enorme contra o processo civilizatório.

Tais episódios mostram que é longo o caminho a ser percorrido, ainda, pelos que lutam contra o racismo, visando sua derrocada. Contudo, para que a luz no final do túnel se aproxime mais rapidamente é necessário estabelecer uma meta de tolerância zero, até que os racistas percam essa luta, definitivamente. Uma derrota, a deles, que vai acontecer, necessariamente, sendo preciso, entretanto, abreviá-la.  

FONTES:

Há 100 anos, jogadores negros eram excluídos da Seleção – DW – 21/03/2021

Campeões da Copa América (campeoesdofutebol.com.br)

Luta contra o racismo: a pauta chave para enfrentar as desigualdades | Oxfam Brasil


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