30 de abril: Dia Nacional da Mulher

Assim como o 8 de Março, o Dia Nacional da Mulher também destaca a luta das mulheres na conquista de seus direitos e lembra o nascimento de importante líder feminista brasileira

O Dia Nacional da Mulher é festejado anualmente em 30 de abril no Brasil, e celebra nascimento de Jerônima Mesquita, líder feminista juntamente com Bertha Lutz. A data foi criada para reforçar o desenvolvimento e reeducação social sobre os direitos que as mulheres devem ter na sociedade.

Isso porque, ao longo dos anos, as mulheres enfrentaram muitas restrições nas diversas sociedades predominantemente machistas e patriarcais.

Assim como o Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, o Dia Nacional da Mulher também lembra a luta das mulheres na conquista de seus direitos.

Infelizmente, o Dia Nacional da Mulher não é devidamente difundido no país. A data acaba por ser ofuscada pelo Dia Internacional da Mulher que, nos últimos anos, desviou-se do seu caráter político e passou a ser visto como mais uma data comercial.

O combate ao sexismo, à misoginia e a todos os outros tipos de discriminações contra o gênero feminino é o alvo central dos debates que ocorrem neste dia.

Origem do Dia Nacional da Mulher

O Dia Nacional da Mulher foi instituído em 1980, através da Lei nº 6.791, de 9 de junho de 1980.

A escolha da data é o dia do nascimento de Jerônima Mesquita, enfermeira brasileira que liderou o movimento feminista no Brasil e que colaborou na criação do Conselho Nacional das Mulheres.

Além disso, Jerônima também foi a fundadora do Movimento Bandeirante. O principal objetivo do movimento era promover a inserção da mulher na sociedade em áreas diversas.

Jerônima Mesquita e o voto feminino. 

Por Natania Nogueira.

Jerônima Mesquita é uma personagem pouco conhecida da nossa história, mas não necessariamente menos importante. Ela nasceu em Leopoldina, Minas Gerais, no dia 30 de abril de 1880, na Fazenda Paraíso. Teve quatro irmãos, Francisca de Paula Lynch, Jerônimo Mesquita, Maria José e Antônio José de Mesquita e Bonfim.

Seu pai, José Jerônimo de Mesquita, era filho de um dos maiores comerciantes de pedras preciosas do Império. Ao se casar, recebeu a fazenda Paraíso de presente de seu avô, o marquês de Bonfim. Lá nasceram seus filhos.  Sua mãe Maria José Vilas Boas de Siqueira Mesquita nasceu na fazenda da Glória, em Angustura (MG), no dia 28 de janeiro de 1862. Era filha de Josefina Vilas Boas de Siqueira, de uma família de fazendeiros, e do rico cafeicultor Antônio Antunes Siqueira (1808-1874). 

Jerônima era a mais velha de cinco irmãos. Com eles recebeu as primeiras letras ainda em casa, com tutores, que o pai mandava vir do Rio de Janeiro ou de outros centros urbanos. Quando mais velhos, foram estudar em colégios europeus. Jerônima fez os estudos secundários na França. Lá ela pôde presenciar a luta das mulheres pela igualdade. Aos 17 anos casou-se, por imposição da família, com um primo, com quem teve um filho. O casamento não foi bem sucedido ela separou-se do marido dois anos depois e nunca mais se casou. Quando eclodiu a I Guerra Mundial, Jerônima ingressou como voluntária da Cruz Vermelha de Paris e depois serviu à Cruz Vermelha Suíça.

Ao retornar ao Brasil, tornou-se uma ativista na luta dos direitos da mulher, juntamente com as amigas Stela Guerra Duval e Bertha Lutz, que conheceu na França. Foi uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) em 1922. Jerônima foi uma das pioneiras na luta pelo direito ao voto feminino, atuando no movimento sufragista de 1932. Com Bertha Lutz e Maria Eugênia, em 14 de agosto de 1934, lançaram um manifesto à nação, chamado de Manifesto feminista.

Juntamente com um grupo de companheiras e fundou o Conselho Nacional das Mulheres, em 1947, no Rio de Janeiro. O Conselho Nacional de Mulheres do Brasil (CNMB) é uma organização cultural, não governamental, que tem por objetivo em defesa da condição da mulher. 

Jerônima destacou-se por sua atuação como feminista, sufragista e assistente social. Foi uma mulher de fibra que não se deixou intimidar pelas regras sociais elaboradas e impostas pelos homens. De família rica, dedicou sua vida a ajudar mulheres que tinham muito menos que ela. Andou entre doentes e ajudou a aplacar a dor dos feridos durante a I Guerra Mundial. Buscou justiça através da igualdade de homens e mulheres perante a lei. Sua luta e de suas companheiras, como Bertha Lutz possibilitaram que muitos avanços sociais e políticos fossem conquistados pelas mulheres brasileiras. 

Depois de tantas décadas de luta pelos direitos da mulher e contra a injustiça, a leopoldinense Jerônima Mesquita faleceu na cidade do Rio de Janeiro, onde morava, em 1972.  Quando foi finamente aprovada a lei que instituía o dia Nacional de Mulher, ficou decidido que este dia seria 30 de abril, data de seu nascimento.

Meses das Mulheres

por Camila Raupp da Luz (UFRGS)

Março foi o mês das mulheres e, como um acervo de ciências, gostaríamos de homenagear a todas as mulheres que trabalham e trabalharam na construção do conhecimento sobre nosso universo! Para isso, reunimos e publicamos em nossas mídias sociais alguns nomes indispensáveis dessa história, afinal, foram elas que abriram as portas para os caminhos que hoje percorremos. Mas gostaríamos de lembrar, também, o comumente esquecido Dia Nacional da Mulher. O dia 30 de abril foi escolhido para homenagear Jerônima Mesquita, Chefe Fundadora do Movimento Bandeirante Brasileiro.

Jerônima foi uma enfermeira brasileira com atuação na Cruz Vermelha de Paris e Suíça. Participou da fundação da Cruz Vermelha no Brasil e da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Lutou pelo direito ao voto feminino e participou ativamente do movimento sufragista de 1932. Mais tarde, participou da fundação do Conselho Nacional das Mulheres.

É interessante salientar que Jerônima dedicou sua vida ao bandeirantismo, sendo fundadora da Federação de Bandeirantes do Brasil, em 1919. Este movimento apresentava uma proposta de educação diferenciada, voltada à inclusão da mulher em papéis mais atuantes em mudanças na sociedade brasileira.

FONTES: 

https://www.calendarr.com/brasil/dia-nacional-da-mulher/

https://historiahoje.com/jeronima-mesquita-e-o-voto-feminino/

https://www.ufrgs.br/amlef/2021/04/02/meses-das-mulheres/

Edição: Sérgio Botêlho

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