Caribe é o “marco zero” da emergência climática global, diz Guterres

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, declarou que o Caribe é o marco zero para a emergência climática global

Em visita ao Suriname, ele afirmou que os pequenos Estados costeiros da região são especialmente vulneráveis à crise climática.

Guterres visitou o país para participar da 43ª Conferência da Comunidade e Mercado Comum do Caribe (CARICOM), na qual defendeu que os países promovam soluções vigorosas para enfrentar as mudanças climáticas, a COVID-19 e a crise econômica global.

O último dia do secretário-geral da ONU no Suriname começou em um pequeno avião. Um sobrevoo de 90 minutos de Paramaribo até a Reserva Natural do Suriname Central revelou a António Guterres a beleza surpreendente da Amazônia, mas também destacou as ameaças que a floresta tropical enfrenta devido às atividades de mineração e extração de madeira e às mudanças climáticas.

A reserva, declarada Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), é uma imensa área protegida que abrange cerca de 11% do território nacional, é reconhecida pelas suas infinidades de montanhas e biodiversidade, e permanece em boa parte inacessível e intocada pelos humanos.

O líder da ONU visitou o Suriname para participar da abertura da 43ª Conferência da Comunidade e Mercado Comum do Caribe (CARICOM), realizada neste domingo (3) na capital do país, Paramaribo. 

No evento, o secretário-geral destacou a diversidade da região e sua liderança na questão climática, ao mesmo tempo em que delineou uma série de ações a serem tomadas diante da crise planetária, da pandemia de COVID-19 em andamento e dos desafios econômicos globais.

Marco zero – Guterres reconheceu que os pequenos Estados costeiros de baixa altitude do Caribe são especialmente vulneráveis ao que ele chamou de “o maior desafio que nosso mundo enfrenta hoje” – a crise climática.

“O Caribe é o marco zero da emergência climática global”, disse. O secretário-geral também ressaltou que, infelizmente,  este não é o único desafio que a região enfrenta. “A cúpula da CARICOM deste ano ocorre em um momento de perigo máximo – tanto para as pessoas quanto para o planeta”, acrescentou, referindo-se ao efeito devastador da pandemia de COVID-19 nos sistemas de saúde e turismo, bem como a redução no crescimento econômico e nos investimentos estrangeiros, problemas exacerbados, agora, pela guerra na Ucrânia.

O secretário-geral disse aos líderes da CARICOM que são necessárias soluções vigorosas para enfrentar esses problemas, destacando três.

Apelo- Para enfrentar estes problemas, Guterres pediu uma redução urgente e transformadora das emissões para deter o aquecimento global em 1,5°C; apoio à adaptação aos impactos climáticos; e assistência financeira para garantir resiliência. 

“Agradeço aos líderes caribenhos por ajudarem a mostrar o caminho. Estou inspirado por seus muitos esforços para proteger sua incrível biodiversidade e riquezas naturais, inclusive pelos esforços das comunidades indígenas”, disse ele.

Ele acrescentou que todos precisam ser mais ambiciosos em suas ações contra as mudanças climáticas, mas especialmente os países que compõem o G20, nações que respondem por 80% das emissões globais. “Os compromissos atualmente firmados, farão que as emissões ainda cresçam 14% até 2030. Isso é simplesmente suicídio – e deve ser revertido.”

O líder da ONU enfatizou ainda que os países mais ricos precisam liderar uma “revolução das energias renováveis” justa e equitativa e precisam cumprir sua promessa de entregar 100 bilhões de dólares em financiamento climático para adaptação a partir deste ano. “É hora de uma discussão franca e espaço para a tomada de decisões sobre as perdas e danos que os países já estão experimentando”, enfatizou.

Sistema financeiro – O secretário-geral sublinhou que as economias em desenvolvimento precisam de acesso a financiamentos sem custos ou com baixo custo, bem como alívio das dívidas externas. “Do lado da dívida, precisamos de alívio imediato para os países em desenvolvimento cuja dívida está prestes a vencer”, disse ele.

O chefe da ONU acrescentou que apoia totalmente a criação de um Fundo de Resiliência do Caribe e a reforma do sistema financeiro internacional que ajude a região a responder melhor aos desafios e evite a vulnerabilidade maciça a choques externos.

“Claramente, nossas velhas métricas falharam conosco. É hora de mudá-las”, disse Guterres, propondo ir além da preocupação do sistema financeiro com a renda per capita e estabelecer um “índice de vulnerabilidade multidimensional” para determinar o acesso ao apoio financeiro.

“Para seus países, isso significaria garantir que os fatores complexos e interdependentes da dívida e do impacto da mudança climática sejam capturados em qualquer análise de elegibilidade para alívio da dívida externa e financiamento”, disse ele aos chefes de estado e de governo do Caribe.

COVID-19 – Quanto à pandemia, o secretário-geral defendeu que governos, organizações e empresas farmacêuticas aperfeiçoem seu trabalho  em conjunto para produzir localmente testes, vacinas e tratamentos.

“Ainda não estamos fora de perigo… E precisamos continuar trabalhando juntos para impedir a propagação do vírus no Caribe, por meio de medidas comprovadas de saúde pública, e precisamos nos preparar para futuras pandemias por meio de investimentos significativos em preparação e treinamento”, afirmou, enfatizando que os países nunca mais devem estar tão despreparados como em 2020.

Finalmente, Guterres reafirmou o apoio das Nações Unidas ao Caribe para trabalhar na construção dessas soluções.

Edição do Para Onde Ir: Sérgio Botêlho, com informações da ONU

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