Capela de Nossa Senhora Perpétuo Socorro, em Santa Rita: referência histórica com direito a alpendre

Sérgio Botêlho – Há duas igrejas entre Santa Rita e Cruz do Espírito Santo que merecem destaque por se constituírem em curiosa e idêntica referência, tanto antiga quanto importante, à história da Paraíba. 

O enredo conta que corria o ano de 1636, época em que a Paraíba – assim como parte do Nordeste brasileiro – era dominada pelos holandeses, especialmente dedicados à produção e comercialização do açúcar, tendo, para isso, tomado na mão grande engenhos do estado.

Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Santa Rita
Foto: IBGE

Espírito Santo e Santa Rita sempre foram zonas de produção da cana de açúcar e, portanto, locais de conflitos permanentes com os invasores. Justamente pelo fato de seus engenhos terem sido expropriados pelos dominadores.

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Rabelinho

Entre 1630 e 1637 havia um combatente que ficou famoso, na região, por empreender forte resistência aos holandeses, o capitão Francisco Rabelo. Numa dessas lutas, Rabelinho, como também era conhecido, enfrentou as tropas batavas, em condições de absoluta inferioridade, conseguindo ao final da luta derrotar os inimigos, e matar o próprio administrador, vindo dos Países Baixos, na Paraíba – espécie de governador da época – fato que, na sequência, acabou provocando período de intensa repressão das tropas holandesas. Mas, essa é outra história.

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Por conta da vitória, os habitantes da região fizeram construir na região dos combates, duas igrejas. Uma delas, a Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Santa Rita.

Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro fica às margens da PB-004, no trecho que liga Santa Rita a Cruz do Espírito Santo, e dista cerca de 1,4 km da outra capela, a de Nossa Senhora das Batalhas.

Segue a descrição, da lavra de Juliano Loureiro de Carvalho, arquiteto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sobre a capela: “O carácter militar, próprio da arquitetura chã, também aparece nos volumes, de proporções baixas e pesadas. Seu alpendre, de colunas toscanas, foi reputado por Gomes o mais erudito da região de Pernambuco, e inspirou o da Capela de Nossa Senhora do Desterro, distante cerca de 14 km. O interior faz contraponto ao exterior austero: o desenho dos degraus do altar é barroco; a cantaria do arco‐cruzeiro tem remanescentes significativos de policromia azul e vermelha; e a ornamentação rococó do retábulo mantém vestígios de douramento. Classificada pelo IPHAN em 1938, a capela passou por intervenções em 1960, 1971, 1982 e 2005, que incluíram a retirada do guarda‐corpo e das impostas do alpendre”.

Evocação

Dessa maneira, a capela tem elevada importância histórica, ao evocar lutas memoráveis do povo paraibano, merecendo, junto com outras da região do Brejo, fazer parte de um roteiro turístico particular. Não apenas pelo seu valor histórico, como por suas singularidades arquitetônicas.

Fontes:

Capela de Nossa Senhora do Socorro

http://www.ipatrimonio.org/santa-rita-capela-de-nossa-senhora-do-socorro/#!/map=38329&loc=-7.127651999999992,-35.038984000000006,17

Capela de Nossa Senhora do Socorro

https://hpip.org/pt/heritage/details/1181

Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro : Santa Rita, PB

https://biblioteca.ibge.gov.br/biblioteca-catalogo.html?id=447422&view=detalhes

A história do milagre de duas capelas – Francisco de Paula Melo Aguiar

https://www.recantodasletras.com.br/artigos/4240461 

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