PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A bela e mutante Lagoa

Sérgio Botelho – Quem observa a dinâmica do Parque Solon de Lucena, hoje em dia, não tem a menor ideia do que era aquele espaço, nesse particular, até décadas atrás. Falo em como eram ocupados os anéis interno e externo, a calçada da Lagoa e as áreas arborizadas por toda a extensão do logradouro, pela população pessoense.

Tanto cresceu a cidade, que nem “doidos” temos mais – PARA ONDE IR
Até a década de 1960, o Parque Solon de Lucena era muito mais do que um cartão-postal. Era espaço de moradia e de convivência e de pertinências bem diferentes das de hoje em dia. Todo aquele casario do anel externo era habitado, a partir de onde se construíam afetividades que iam da convivência de vizinhos às mais amplas disponibilidades para crianças e adolescentes, a aproveitaram toda a área, sem lenço, sem documento e sem medo da felicidade.

Tanto cresceu a cidade, que nem “doidos” temos mais – PARA ONDE IR

Das áreas ajardinadas, duas delas tinham destaque como espaço de convivência, principalmente para peladas futebolísticas: ao Norte, o trecho entre a Avenida Getúlio Vargas e a atual Desembargador Souto Maior (antiga São José), mas especificamente nas proximidades da Almirante Barroso, vale dizer, onde fica o bambuzal, que já foi bem mais intenso e extenso. E ao Sul, entre a atual rua Maria de Fátima Ugulino de Araújo e a avenida Camilo de Holanda. De manhã até o cair da tarde, o futebol corria solto reunindo a vizinhança e as adjacências.

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A calçada e o anel interno da Lagoa, à noite, em tempos de muito menos insegurança que os dias de hoje, eram ocupadas pela moradores do Centro, principalmente os jovens, para passeios e corridas de bicicleta. O Cassino, no período do qual estamos falando, ostentava programação com direito a música e dança, na evolução entre Cassino de Verão e Cassino da Lagoa, até virar o Clube do Estudante Universitário, o famoso CEU.
Ponto de encontro, de protestos e de contemplação, a Lagoa registra em sua trajetória diversas fases da cidade. Mesmo diante de intervenções e reformas ao longo dos anos, a Lagoa permanece forte no imaginário coletivo — em postais, fotos antigas e contemporâneas, em verso e prosa e em relatos populares. Representa, portanto, não apenas um espaço físico, mas um símbolo persistente, embora mutante, da urbe pessoense.
Cartão-postal, sempre foi, e continua sendo. Desde que teve sua urbanização concluída, na década de 1940, que a bela paisagem, no Centro pessoense, chama a atenção de visitantes e moradores. Sua forma, suas palmeiras imperiais, o espelho d’água e construções históricas, compõem uma das mais fortes identidades urbanas da cidade. Mas, em termos de utilização, mudou muito, mudou bastante.


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