Baixo isolamento faz epidemia avançar, no Brasil; justiça começa a agir

Quebra de isolamento, no Brasil, tem inquietante relação com os novos números da pandemia. Ministro defende isolamento horizontal, e Justiça começa a agir.

Baixo isolamento, no Brasil, tem inquietante relação com os novos números da pandemia. Dessa maneira, o ministro da Saúde, Nelson Teich, foi, agora, forçado a reconhecer a necessidade de o país seguir em regime de isolamento horizontal.

De passagem, é forçoso reconhecer a predição feita pelo ex-ministro Henrique Mandetta, demitido por dizer a mesma coisa. Contudo, apesar da fala do atual ministro, o presidente Bolsonaro continua atacando o isolamento horizontal, defendido por cientistas, no mundo inteiro.

Os cientistas

Aliás, ao tempo em que anunciava a necessidade de que o programa de isolamento continuasse, Teich recebeu dura carta dos cientistas brasileiros. O documento é assinado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e subscrito por mais de 40 entidades científicas.

Os cientistas nacionais, evidentes conhecedores da pandemia, cobram do ministro um plano de ação. Acima de tudo, um plano “baseado em dados levantados pela ciência e espelhado em atitudes que foram executadas com sucesso por governos de outros países”. Aliás, exemplos altamente convincentes pró-isolamento.

Exemplos

Países como Itália, França, Espanha e Estados Unidos, inicialmente, questionaram a necessidade da quarentena social. O resultado foi terrível, espelhado centenas de milhares de infectados, e milhares de mortos nesses países.

O Brasil também está nessa lista de países onde, de início, as autoridades do Planalto, pela voz do próprio presidente, ridicularizaram com a Covid-19. Por iniciativa de governadores e prefeitos, no entanto, o país começou a mudar o rumo. Porém, como atitude fora de tempo, o resultado aparece, agora, nos números galopantes da pandemia, no país.

Suécia

Os que atacam o isolamento social como forma de enfrentar o coronavírus, costumam evocar o exemplo da Suécia. É que naquele país escandinavo as autoridades adotaram medidas baseadas na confiança da cidadania. Entretanto, as recomendações em favor do distanciamento social foram, e continuam sendo, muito duras.

A bem da verdade, a Suécia terminou apresentando um volume de infectados e mortos bem maior que os seus vizinhos nórdicos. Enquanto isso, segundo o banco central sueco, o ano econômico naquele país vai ser o mesmo, ou pior, do que está para acontecer com a Europa.

Ainda assim, é preciso entender que a realidade sueca é bem diferente da realidade brasileira. Estamos falando de um país, a Suécia, onde predomina uma classe média bem numerosa, e muito bem remunerada. E, ainda, com índices de pobreza infinitamente menores que os do Brasil. E, também, com elevado conceito de cidadania a imperar em meio à população.

Queda dos índices de isolamento

O maior drama brasileiro, com relação ao coronavírus, é, neste momento, a queda nos índices de isolamento social. Parte, devido à natural impaciência da população. Mas, parcela considerável em função das falas de Bolsonaro, repetidas à exaustão por seguidores do presidente, pelo país afora.

Por isso mesmo, é que a SBPC alertou o ministro da Saúde sobre a necessidade de que o Brasil siga o que preconiza a ciência mundial. Principalmente, “para que a população se sinta amparada e possa ouvir uma voz uníssona que reforce essas diretrizes”. Por sinal, o mesmo que preconizava o ex-ministro Mandetta.

Agora, a justiça

Talvez por isso, é que a justiça do Maranhão acaba de decretar o lockdown, uma forma bem mais radical de isolamento social. A decisão é válida para a Grande São Luís. Afinal de contas, a região maranhense onde se concentra o maior número de casos de coronavírus naquele estado meio Nordeste meio Norte, do Brasil.

Enfim, ninguém se surpreenda se outras decisões judiciais, com esse objetivo, forem replicadas pelos estados brasileiros afora. Certamente, seria uma forma de as medidas de isolamento social serem mais respeitadas. Seja lá como for, nunca o isolamento social foi mais necessário a um país tão exposto à morte generalizada, como é o caso do Brasil, nesse instante.

(Sérgio Botêlho)

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