PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A Avenida 3 de Maio, no Varadouro 

Sérgio Botelho – Há dois fatos intrigantes sobre a denominação de uma serena e curta avenida, chamada 3 de Maio, que se origina em um paredão da Rua Idaleto, ao lado do terminal rodoviário, e termina na Rua da República, entre os antigos prédios da Prensa Abílio Dantas e da fábrica de guaraná Sanhauá, no Varadouro.

A princípio, toda avenida é uma rua, mas nem toda rua tem a estrutura e a importância de uma avenida. A avenida é mais larga, com mais faixas de circulação e maior fluxo de veículos. A rua costuma ser mais estreita, com trânsito mais calmo, exatamente o caso da 3 de Maio.

O outro quesito a intrigar é o que representa o dia 3 de maio, como marco histórico, já que não é uma data tão festejada. No caso, encontrei duas razões importantes. A primeira é que foi em 3 de maio de 1888, dez dias antes da assinatura da Lei Áurea, que a cidade de Areia, na Paraíba, comemorou, com muita festa, sua própria abolição da escravatura. Já o outro 3 de maio relevante, em nossa história, aconteceu em 1933 — após a Revolução de 1930, portanto, em que a Paraíba exerceu protagonismo —, quando foram realizadas as primeiras eleições universais da história do Brasil.

Aqui reside, com maior possibilidade, o motivo para a nomeação do logradouro, uma vez que outras cidades do país, incluindo capitais, têm vias urbanas nomeadas com a data. E todas elas, avenidas.

De fato, em 3 de Maio de 1933, pela primeira vez em toda a nossa história, imediatamente depois de desmantelada a Primeira República, aconteceu a nossa primeira eleição direta, no Brasil, com o inusitado voto feminino, a instituição da Justiça Eleitoral, o estabelecimento do voto secreto, a adoção do sistema de representação proporcional, o alistamento eleitoral e o voto obrigatório.

De todo modo, a Avenida 3 de Maio acaba sendo não apenas um caminho físico na paisagem do Varadouro, mas um patrimônio urbano, capaz de nos fazer lembrar importantes conquistas sociais e políticas da nossa história.

Assim, seja pela vanguarda abolicionista em Areia ou pelo avanço democrático das eleições de 1933 (ou, também, por marcar, materialmente, a existência pretérita de um significativo setor industrial, na cidade) esse breve logradouro carrega consigo memórias de liberdade, cidadania e transformação — lembranças que merecem ser preservadas e celebradas.

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