As várias mortes e renascimentos do ser

O poema de Merlânio intitulado “Tens medo da morte?” é uma bela reflexão sobre a vida e a morte, visto como ciclos de renovação e transformação pessoal. Através dessa poesia, o autor utiliza a metáfora da morte não como um fim, mas como uma transição entre diferentes estágios da vida, onde cada “morte” simboliza o fim de uma fase e o início de outra.

O poeta descreve essas transições desde a infância até a velhice como renascimentos contínuos, sugerindo que a vida é uma série de renovações que nos permitem explorar diferentes identidades e experiências. Essa perspectiva transforma o medo da morte em uma aceitação das mudanças constantes que definem a existência humana.

Tens medo da morte?

Merlânio

 

Perguntam se eu tenho medo

De quando a morte chegar

Mas eu já morri mil vezes

E acordei noutro lugar

 

Morri quando fui Bebê

Com surpresa e esperança

Me vi reaparecer

Brincando como criança

 

Então lá vem outra morte

Na aventura de ser gente

O ser criança morreu

E nasceu o adolescente

 

Este viveu pouco tempo

Querendo ter atitude

E morreu virando jovem

Nos sonhos da juventude

 

E quando jovem morri

Num sono via o futuro

E um certo dia acordei

Já era um homem maduro

 

O coroa vai morrendo

Aos poucos bem devagar

Potência e disposição

Para o sábio velho entrar

 

E em velho morre-se aos poucos

Morre a audição, a lembrança,

A visão e outras coisas

Num retorno a ser criança

 

E em criança já sem corpo

Na velhice se afigura

Para aportar noutro porto

Em uma nova aventura

 

Então digo sem ter medo:

Não tenho medo da morte

São portais das aventuras

Buscando em Deus nosso Norte!


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