Em quadro aflitivo, trade turístico e economia sofrem à espera da vacina

Sérgio Botêlho – À espera da vacina, não precisa dizer o prejuízo que o trade turístico seguirá tendo, na busca pela recuperação do setor, neste final de ano. No mundo, e também no Brasil, a tendência das autoridades é fechar equipamentos de lazer, incluindo orlas marítimas, com o fito de evitar aglomerações e ainda mais prejuízos, estes, representados pelo recrudescimento da propagação do coronavírus, agora, se apresentando em nova versão ainda mais poderosa.

Nesta quarta-feira, 23, o Reino Unido voltou a descobrir uma nova variante do coronavírus. De acordo com o secretário de saúde britânico, Matt Hancock, a nova variante é muito preocupante em virtude de ser ainda mais transmissível e parece ter sofrido mais mutação do que a (primeira) nova variante que foi descoberta bem recentemente no Reino Unido, e que já pode estar circulando no Brasil.

A partir de sábado, Londres e mais Sussex, Oxfordshire, Suffolk, Norfolk, Cambridgeshire, parte de Hampshire e de Essex, além das cidades do sudeste da Inglaterra, estarão adotando restrições mais rígidas contra o avanço do coronavírus. A Itália, que já detectou um caso de infecção pela nova cepa do coronavírus, surgida no Reino Unido, interrompeu suas conexões aéreas entre os dois países.

Nos Estados Unidos o número de mortes já está superando os 3 mil por dia, a terceira maior contagem para 24 horas. Já as internações nos EUA deram um salto de 2.426 ontem, para o nível recorde de 117.777, de acordo com o acompanhamento do Covid Tracking Project. A Alemanha registrou 962 mortes nas últimas 24 horas, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (23) pelo Instituto Robert Koch de virologia.

Afora os números em si, e o que representam imediatamente no aumento do número de mortos, há o receio altamente fundados nas informações que vêm sendo evidenciadas de que o mês de janeiro pode representar o colapso do sistema de saúde, o que afetará diretamente o atendimento hospitalar a diversas outras doenças, este, o maior medo de médicos e especialistas em saúde pública de uma maneira geral.

No Brasil, a Prefeitura do Rio de Janeiro resolveu fechar Copacabana na noite da passagem do ano. Somente terão acesso os moradores do bairro, mesmo que já tenha sido suspensa a tradicional queima de fogos, na praia. Em São Paulo, o estado inteiro está voltando à fase vermelha da pandemia. Assim, entre os dias 25 e 27 de dezembro, e 1 e 3 de janeiro, funcionarão somente os serviços essenciais, e todo o resto do comércio e demais atividades estarão fechados.

Ainda em São Paulo, os prefeitos da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, vão fechar as praias nos dias 31 de dezembro e 1º de janeiro. A decisão foi tomada em conjunto por líderes das nove cidades da região (Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Monguaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente), em reunião nesta quarta-feira, 23.

Fica claro que o setor turístico está vivendo, na atual pandemia, o mais sério desafio de sua história. Os primeiros meses da crise foram particularmente cruéis com o segmento de viagens, em todo o mundo. Hotéis, restaurantes, empresas de transporte, e os setores da economia que se vinculam mais diretamente à indústria de turismo restaram seriamente abalados pela pandemia, tendo como resultado falências generalizadas.

Nos últimos meses, o setor vinhaexperimentando uma retomada gradual de atividades e ganhos. Para o final do ano, por outro lado, a expectativa geral era de que essas atividades experimentassem forte impulso adicional. Contudo, o que não se esperava era o aumento absurdo do número de casos de infecção pelo coronavírus, o que afeta enormemente as programações feitas com antecedência, aumentando ainda mais os prejuízos.

O mundo não pode mais viver, em 2021, o que viveu neste ano de 2020, em vias de se findar. A situação nos faz alimentar a esperança na vacinação em massa da população mundial. Sem que isto aconteça, o mundo vai viver cada vez mais na dependência de uma evolução natural do coronavírus. O que, diante dos acontecimentos mais recentes, fará com que a economia viva de forma permanente na corda bamba. A transmutação do vírus é a face mais perversa e de previsões mais sombrias que se pode ter.

Portanto, não há outra saída senão a vacina. Sem ela, o caos permanece.

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