22 de maio: Dia do Abraço

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“Tudo que a gente sofre, num abraço se dissolve. Tudo que se espera ou sonha, num abraço a gente encontra” (Jota Quest)

Segundo a Revista Galileu o Dia do Abraço, comemorado em 22 de maio, surgiu a partir de um episódio não tão carinhoso. Conta a revista que em 2004, o australiano Juan Mann, que vivia em Londres, viu sua vida virar de cabeça para baixo e precisou voltar para Sydney, sua cidade natal. Mas, ao chegar no aeroporto, ninguém estava lá para recebê-lo. “Tudo o que eu tinha era mala cheia de roupas e um mundo de problemas”, disse Mann.

O episódio fez com que ele decidisse iniciar, no dia 22 de maio, uma ação de abraços grátis (a famosa free hugs). Ele escreveu as palavras em um papelão e foi até o ponto mais movimentado da cidade. Após alguns olhares desentendidos, pessoas começaram a aceitar a oferta. 

A ação chegou a ser banida pelas autoridades locais, o que não impediu Mann de ganhar fama. Certo dia, um dos interessados no abraço foi o líder da banda Sick Puppies, que o chamou para gravar um videoclipe. O vídeo viralizou e a iniciativa se popularizou pelo mundo todo. Pronto!

“O melhor lugar do mundo. É dentro de um abraço”, a música da banda mineira Jota Quest fala sobre uma das principais expressões de carinho que é lembrada neste 22 de maio: o abraço. A letra continua, e mostra tudo que esse pequeno gesto pode fazer: “Tudo que a gente sofre. Num abraço se dissolve. Tudo que se espera ou sonha. Num abraço a gente encontra”.

A presidente da Federação Latino-Americana de Análise Bioenergética (Flaab), Edna Lopes, disse à Agência Brasil que, pensando no abraço de uma forma mais ampla, quando abraçamos alguém, ou quando somos abraçados, “A gente se conecta com o campo afetivo íntimo  no corpo de ambas as pessoas. A respiração, o ritmo cardíaco podem se harmonizar em um abraço demorado”. Edna explicou que o abraço pode acolher várias emoções, como tristeza e medo. Pode dar limites à raiva; pode ampliar as sensações prazerosas, amorosas, de todo tipo de amor vivido, como amor filial, fraterno, entre casais e até com animais. Para ela, o abraço é a expressão do vínculo que nós estabelecemos com as pessoas, mas também com tudo que está no mundo, com tudo que nos envolve.

Sinais corporais

A professora do Instituto de Psicologia (IP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Edna Ponciano, explicou à Agência Brasil que a experiência emocional é toda manifestada por sinais corporais que indicam se o que a pessoa está vivendo é bom ou ruim. “Nesse sentido, o abraço entra como uma forma de sinalizar que uma coisa boa está acontecendo”. Destacou que isso se refere ao abraço consensual, em que há consentimento de ambas as partes e que vai comunicar um bem-estar.

De acordo com Edna Ponciano, desde bebê, o ser humano tem diversas sensações afetivas e, embora não possa falar, seu corpo já se expressa e o adulto que cuida já percebe essa expressão. À medida que vai crescendo, o bebê demonstra tristeza, alegria, raiva. “E o abraço entra em todas essas situações, no sentido de propiciar um conforto para a intensidade da experiência emocional que ocorre no corpo. Os bebês são acalentados no abraço”. A criança sente o corpo do adulto que o acalenta, como já sendo um abraço.

O que gera essa sensação de calma é o nervo vago, que vai subindo desde a parte baixa da barriga, como ramos que não têm uma linearidade clara, e vão se espalhando, passando pelas vísceras, estômago, coração, laringe, faringe e pulmão.

“O nervo vago tem a ver com o abraço, porque quando você abraça, você encosta o seu nervo vago com o da outra pessoa. Se resume em encostar a barriga com a barriga e o peito com o peito da outra pessoa, que é o abraço. Isso acontece com os bebês e dá a sensação de calma e, depois, continua sendo importante na vida adulta”.

O abraço faz parte do comportamento dos brasileiros que, agora, no distanciamento social, inventam meios de se tocar com os cotovelos ou mãos fechadas. “É uma característica cultural. Mas nada substitui o abraço, porque não toca o nervo vago e não dá aquela sensação de calmaria”, assegurou Edna Ponciano.

Crédito da imagem: https://sites.usp.br/

FONTES: 

https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Comportamento/noticia/2020/05/dia-do-abraco-conheca-origem-um-pouco-triste-da-data.html

Por Sérgio Botêlho, na edição dos Destaques do Dia do Para Onde Ir

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