🌆 Crônica da Tarde (Largo da Gameleira)

Final da Rui Carneiro. Ao fundo, o Largo da Gameleira. À esquerda, agência do BB, onde antes funcionava o Elite Bar.

Sérgio Botelho – Andar pelo Largo da Gameleira, na área do Baixo Tambaú, é sempre uma emoção memorial. O local representa uma das primeiras ocupações do litoral pessoense, no caso, por pescadores. De caniço, samburá, taperas, caiçaras e jangadas, submetidos a uma vida duríssima e insalubre, os profissionais da pesca foram os primeiros habitantes mais fixos de Tambaú, de que se tem notícia.

Foi por ali que também chegaram os primeiros banhistas pessoenses, em números mais expressivos, vindos da Imbiribeira (atual Tambauzinho), onde eram deixados pela maxabomba. Na sequência, até aquela parte do litoral, fizeram ponto a própria maxabomba, o bonde elétrico e as marinetes. E, ainda, dezenas de ônibus vindos do interior. A imensa gameleira, hoje não mais existente, abrigava a todos, democrática e generosamente.

No local, foi erguida a primeira pracinha, um equipamento urbano mais sofisticado, e o primeiro grupo escolar da praia, em prédio derrubado para a construção do que hoje abriga a PB-Tur. Por décadas, o Elite Bar (onde atualmente, opera uma agência do Banco do Brasil), pontificou como uma das opções de lazer mais admiradas da cidade, em sua história.

Enquanto isso, na esteira da Colônia de Pescadores Z-3 (criada ainda na primeira década dos anos 1900), foi ali que se instalou a ainda hoje lembrada Pesca Industrial e Artesanal S/A, Pindá (mais ou menos onde existe o Bahamas), uma cooperativa para o comércio de pescados.

Na rua por trás do Elite, hoje, Carlos Alverga, havia balneários, conforme a terminologia da época, onde os banhistas e as banhistas alugavam calções e maiôs, além de boias, grandes e pequenas, para o deleite do mar. Foi na Carlos Alverga, também, onde surgiram cabarés que disputaram freguesia com os mais famosos do Varadouro.

Enfim, tendo como cenário a região, é que explodiu a discoteque, em João Pessoa, mobilizada pelas boates do Elite e do Hotel Tambaú (este, um outro marco local), que configurou para sempre a região como um todo, a do Baixo Tambaú, como eixo histórico do prazer em João Pessoa.

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