PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Antes da subordinação, reconhecimento e cobrança de dívidas

Sérgio Botelho – Em dezembro de 1755, a Capitania da Parahyba do Norte foi subordinada administrativamente à de Pernambuco, situação que durou até 1799. Penúria do Tesouro paraibano teria sido o motivo para a decisão tomada pelo Conselho Ultramarino português.

Coincidentemente, desde 1750, Sebastião José de Carvalho e Melo, o futuro Marquês de Pombal, exercia, com elevados poderes, o cargo de Secretário de Estado da Monarquia de Portugal. Vivia ele engajado na melhoria das finanças do Reino.

Naquele dezembro de 1755, por exemplo, Carvalho e Melo estava totalmente envolvido com a reconstrução de Lisboa, após pavoroso terremoto, seguido de tsunami, ocorrido cerca de um mês antes, que praticamente destruiu a capital portuguesa. E todo dinheiro era pouco.

A decisão da Coroa portuguesa pela subordinação foi tomada a partir de relatório apresentado pelo último governador da Paraíba, antes da anexação, um fidalgo da Casa de Sua Majestade de nome Luís Antônio Lemos de Brito, pedindo mais recursos para a província.

No exercício do governo, Lemos de Brito também reclamava de dívidas pernambucanas para com a Paraíba. Cartas dele, ambas de maio de 1754, ao rei D. José I, a respeito, podem ser lidas em Avulsos – Paraíba (1751-1800), no site da Fundação Biblioteca Nacional.

Curioso, ainda, é que quando de sua nomeação, em 1753, Lemos de Brito reivindicou — e foi atendido, também pelo Conselho Ultramarino —, que sua patente fosse elevada para a de coronel governador, de maneira que correspondesse à importância da Capitania da Paraíba.

Irineu Pinto, em Datas e Notas para a História da Paraíba, registra a concessão como tendo ocorrido em 28 de agosto de 1753, na forma de Patente Régia, nomeando Lemos de Brito exatamente como “coronel governador da Capitania da Parahyba”, ao invés de capitão-mor.

São essas algumas das contradições envolvendo a subordinação administrativa da Paraíba a Pernambuco, no Século XVIII, guardadas em arquivos empoeirados da história, que aos poucos vão se revelando.

(Foto: Ilustração)

*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.

https://paraondeir.blog/subordinação/


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