PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Strip-tease na Tabajara
Sérgio Botelho – “E a cubana dança nua!”, gritou, com sua voz empostada o apresentador Pascoal Carrilho nos microfones da Rádio Tabajara, segundo contou outro dia o médico, e cronista dos bons, José Mário Espínola. A emissora, conforme falamos no post memorial desta quinta-feira, 10, teve seu período de maior prestígio nas décadas de 1940 e 1950, principalmente, tempos de ouro do rádio.
A sede, num prédio derrubado em 1985, que incluía um auditório com programas ao vivo, onde Carrilho reinava absoluto, ficava na esquina da Rua da Palmeira com a Almeida Barreto, onde hoje funciona parte da Justiça Paraibana.
Acontece que o programa daquele dia estava morno demais, apesar de uma suposta cubana, batizada de La Púbia, por Pascoal – cooptada nos arrabaldes da cidade, mesmo -, estar compondo as atrações. Pascoal, em mais uma de suas inúmeras presepadas radiofônicas, sugeriu, então, que La Púbia ia tirar a roupa.
Naqueles anos de ouro da Tabajara, embora não fosse muito grande o número de aparelhos de rádio em meio a uma população pessoense marcadamente pobre, havia pelas praças da cidade sistemas de autofalantes, pregados no alto dos postes, transmitindo a Tabajara.
Entre as praças beneficiadas com o referido sistema de som, a mais cheia de ouvintes era, evidentemente, a Vidal de Negreiros, o famoso Ponto de Cem Reis, bem perto da rádio. Quando Carrilho anunciou a nudez da cubana, não demorou mais do que minutos para que o auditório lotasse.
No entanto, conforme o programa seguia seu rumo, o momento aguardado com frenesi pela plateia simplesmente não acontecia. La Púbia, envolta trajes mínimos, mas vestida, limitou-se a dançar com movimentos suaves, sem qualquer indício de que cumpriria, o que naturalmente, jamais iria acontecer, a promessa de nudez anunciada por Pascoal Carrilho.
A plateia do auditório, sentindo-se ludibriada, começou a vaiar e exigir o “espetáculo” prometido. Alguns mais exaltados chegaram a arremessar objetos em direção ao palco, transformando o clima de expectativa em um caos iminente. Nas ruas, a situação não era diferente: gritos de “É fraude!” e “Queremos o strip-tease de La Púbia!” ecoavam, ameaçando virar uma revolta generalizada.
Foi então que, em meio ao tumulto, chegou ao local a Rádio Patrulha, com suas sirenes cortando o ar e os policiais acalmando geral. Pascoal Carrilho, sempre o mestre das presepadas radiofônicas, aproveitou o rebuliço para desviar o foco, embora a história não registre mais detalhes. Aos poucos, a intervenção das autoridades e a astúcia do locutor acalmaram os ânimos, dissipando o risco de um conflito maior.
Assim, o episódio entrou para a lista das lendas da Tabajara, um marco que mesclou humor, audácia e o perigo de brincar com o fogo da expectativa pública. La Púbia seguiu seu caminho envolta em mistério, e Pascoal, apesar de tudo, manteve sua fama.
(A foto das irmãs Anciomán com Pascoal Carrilho foi copiada do blogspot radiotabajarapb, mantido pelo jornalista e escritor Josélio Carneiro)
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