📜 CRÔNICAS ALEATÓRIAS. Tem de tudo, em especial a conversa

Praça da Alimentação – Mercado Público da Torre, entre o café e o almoço

Sérgio Botelho – Este domingo, 03, foi um dia típico de agosto, ou seja, no Litoral do Nordeste, como é o caso de João Pessoa, ainda é inverno. E efetivamente chove. Mas bem que pode preparar chuva de manhãzinha e, no entanto, o resto do dia ser de sol. E sol com capacidade de lhe convidar à praia. Foi exatamente o que aconteceu, neste domingo, 03.

Logo cedo o dia apareceu completamente fechado. “Hoje vai chover pra danado!”, pensei de forma precipitada. Não foi o que aconteceu. Depois daquele tempo fechado das primeiras horas, até que as nuvens ainda marcaram presença nos céus de João Pessoa, porém, mais ou menos a partir das 10:30 horas da manhã, o sol se impôs.

Mas ao invés de ir à praia fui fazer feira. E, como quase sempre acontece, no Mercado da Torre, que, aos moldes de todos os dias, e principalmente aos domingos, estava completamente lotado. Com razão, porque lá tem de tudo, tudo, mesmo, que você espera encontrar num mercado público.

Tem fígado, coração, rins, tripas, mocotó, livro, bucho, buchada para fazer, cabeça, língua, sangue cozido e pra cozer. Mas também abacate, abacaxi, acerola, ameixa, banana (nanica e prata), caju, cajá, carambola, coco verde e seco, graviola, goiaba, jaca, laranja, limão, mamão, manga, maracujá, melancia, melão, morango, seriguela, tangerina, uva.

E ainda, alface, couve, espinafre, rúcula, chicória, agrião, acelga, cheiro-verde (coentro, salsa, cebolinha), hortelã. Afora batata-doce, macaxeira, inhame, jerimum, abobrinha, beterraba, cenoura, chuchu, quiabo, vagem, pepino, pimentão, tomate, berinjela, jiló e maxixe. Com a fama de uma proveniência direta da agricultura familiar, bem mais próxima da orgânica.

E tem a praça de alimentação, uma das mais famosas de João Pessoa, onde o sol nem precisa nascer para estar lotada. Lá você pode comer cuscuz e tapioca, doces ou salgadas, com ovo, carne de sol, queijo coalho e de manteiga, bolo de milho, canjica, pamonha e mungunzá. Não só, como igualmente, bode, carneiro, moela, rabada, buchada, fava, feijoada, mocotó, galinha guisada e picado de “miunça” e de bicho graúdo.

Naturalmente, sem esquecer salgados, sanduíches, sucos de cajá, caju e graviola, caldo de cana e refrigerantes. Enfim, porque ninguém é de ferro, tem cachaça e até uísque, cerveja, conhaque, rum (o velho e inesquecível rum), para adoçar o bico e desaprumar (ou aprumar) a mente do sujeito.

Agora, deixe dizer para concluir: tem sobretudo a conversa com os vendedores e as vendedoras dos quiosques e com os parceiros e parceiras de bares e restaurante. Conversando é que você se atualiza sobre o essencial da cidade. E, caso esteja atento, tem até um pouco de futurismo, principalmente no que diz à nossa língua materna.

Afinal de contas, gramáticos e linguistas vivem, permanentemente, correndo atrás das mutações da língua (no mais das vezes, forjadas pelo povo), com a tarefa de normatizá-las. Um trabalho acadêmico que nunca para, provocado, entre outros lugares, nas feiras públicas, que nem o Mercado da Torre, e em outros que tais por diversos bairros da cidade.

Mercado é dialética em seu estado mais puro e notável, é vida, é língua em movimento real e imparável.


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