Sivuca, o paraibano internacional, que nos deixou há 13 anos

Sérgio Botêlho

Sivuca, o paraibano genial, faleceu em 14 de dezembro de 2006. Antes de se despedir, porém, fez muita arte com seu acordeão. Apesar de com outros instrumentos, também. No entanto, foi com a sanfona, que ele começou a manter intimidades já aos 9 anos de idade, em sua terra natal, a paraibaníssima Itabaiana.

Enquanto permaneceu entre nós, o compositor, nascido Severino Dias de Oliveira, nos idos de 1930, elevou internacionalmente a música brasileira. Com efeito, suas apresentações, no exterior, sempre mereceram as mais altas considerações de público e de gente entendida em música.

Paris

A partir dos 30 anos, isto é, entre os anos de 1960 e 1964, residiu em Paris, na França. Dessa maneira, participou do filme franco-italiano Le Diable et les Dix Commandements (O Diabo e os Dez Mandamentos), do francês Julien Duvivier.

Enquanto na Europa, o músico brasileiro, em parceria com outros artistas nacionais, fez shows em Lisboa, Londres, Bruxelas e Paris. O Olympia de Paris, o London Palladium e a Exposição Internacional de Bruxelas foram alguns dos palcos.

De tal forma foi acolhido, naquele mundo, que acabou apontado, em 1962, pela rigorosa imprensa especializada parisiense, como o instrumentista do ano. Contudo, este foi apenas o primeiro reconhecimento internacional da virtuose do paraibano.

Estados Unidos

Por 12 anos, residiu nos Estados Unidos. Como resultado, viu, mais uma vez, sua genialidade musical ser reconhecida. Mesmo que tocasse um instrumento não muito bem assimilado pelo mundo musical norte-americano.

Logo após assisti-lo em um documentário de TV, Miles Davis, um dos ícones do jazz americano, de todos os tempos, resolveu surpreender o brasileiro. Então, por meio de um telegrama, enfatizou: “finalmente eu encontrei alguém que me fizesse fazer as pazes com esse maldito instrumento, o acordeon”.

Sucesso absoluto

Assim, até o fim da vida, onde o brasileiro se apresentasse o sucesso era garantido. Afinal, essas apresentações podiam ocorrer em palcos da Europa ou dos Estados Unidos. Não importava, porque o resultado era casa cheia. Na África, continente de forte musicalidade, tem nome gravado em letras maiúsculas.

Isso, por conta da participação do paraibano, na década de 60, do grupo da sul-africana Miriam Makeba que enfeitiçou o mundo com a música Pata-Pata. No entanto, antes disso, em 1959, produziu um disco de música angolana que recebeu o nome Duo Ouro Negro.

De acordo com os registros, no caso de Miriam Makeba, o brasileiro foi diretor musical, arranjador e violonista, outro instrumento que dominava perfeitamente. Ao mesmo tempo, gravou três discos com a cantora. Portanto, uma passagem marcante pela chamada música mundi, porém, de matriz africana.

Músicas

Enfim, falar das composições do nosso homenageado é arrumar disposição para escrever um imenso relatório.

Adeus Maria Fulô brilhou nacional e internacionalmente, desde a década de 50. Gravada, primeiramente, por Carmélia Alves, em 1951, a música foi recuperada pelos Mutantes, na década de 60, e incluída, em um de seus discos, por Miriam Makeba.

João e Maria, música dele, cuja letra foi composta por outro gênio, no caso, Chico Buarque de Holanda, é mais uma.

Feira de Mangaio, eternizada por Clara Nunes, também.

Tudo da mais elevada qualidade!

Discos

O jeito, afinal, é copiar e colar a discografia do mestre paraibano, conforme publicada pela Wikipedia:

Motivo para Dançar (Copacabana, 1956). Motivo para Dançar Nº 2 – Sivuca e Seu Conjunto (Copacabana, 1957). Rendez-vous a Rio (1965). Golden Bossa Nova Guitar (1968). Sivuca (1968). Putte Wickman & Sivuca (1969). Joy – Trilha Sonora do Musical – Oscar Brown Jr./Jean Pace/Sivuca (RCA, 1970).  Live at the Village Gate (Vanguard/Copacabana, 1975). Sivuca e Rosinha de Valença Ao Vivo (RCA, 1977). Forró e Frevo (Copacabana, 1980).

Cabelo de Milho (Copacabana, 1980). Forró e Frevo Vol. 2 (Copacabana, 1982). Vou Vida Afora (Copacabana, 1982). Onça Caetana (Copacabana, 1983). Forró e Frevo Vol. 3 (Copacabana, 1983). Forró e Frevo Vol. 4 (Copacabana, 1984). Sivuca & Chiquinho Do Acordeon (Barclay, 1984). Som Brasil (1985). Chiko’s Bar – Toots Thielemans & Sivuca (1986). Rendez-Vous in Rio – Sivuca/Toots Thielemans/Silvia (1986). Sanfona e Realejo (3M, 1987). Let’s Vamos – Sivuca & Guitars Unlimited (1987).

Um Pé No Asfalto, Um Pé Na Buraqueira (Copacabana/CBS, 1990). Pau Doido (1993). Enfim Solo (1997). Cada um Belisca um Pouco – Sivuca/Dominguinhos/Oswaldinho (Biscoito Fino, 2004). Orquestra Sinfônica do Recife (Biscoito Fino, 2006). Sivuca/Quinteto Uirapuru (Kuarup, 2004). Sivuca – O Poeta do Som (DVD Kuarup, 2006). Terra Esperança (Kuarup, 2007).

Fontes:

https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12160/sivuca

https://esquerdaonline.com.br/2017/06/27/sivuca-poeta-do-som/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sivuca

Memória

Sivuca passa a fazer parte, portanto, das memórias do Para Onde Ir.

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