Sérgio Botelho – A reforma e o reuso adaptativo do antigo prédio do Convento dos Jesuítas, e por décadas Palácio da Redenção, inevitavelmente nos faz voltar nossa atenção para o prédio vizinho, também de origem jesuítica, a compor um espaço urbano secular na capital paraibana.
Originalmente, era um conjunto único, que foi repartido ao meio no governo do presidente João Pessoa. É que entre o convento e o colégio havia a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (depois construída na Rua São Miguel, no Varadouro), para dar lugar ao que por muito tempo se chamou Jardim do Palácio.
Atualmente, o jardim compõe um memorial ao ex-presidente João Pessoa, ali sepultado junto com sua esposa, Maria Luiza, desde a década de 1990, agora fazendo parte do Museu da História da Paraíba, aberto ao público desde a última sexta-feira, 03.
O prédio vizinho, que se vê na foto, teve sua construção concluída para abrigar o Seminário dos Jesuítas, a partir de 1746, funcionando como tal até o ano de 1759, quando a Ordem de Santo Inácio de Loyola foi definitivamente expulsa do Brasil, tendo os prédios, desde então, destinação civil.
Em sua existência, a partir do Século XIX, ele atendeu ao Lyceu Paraibano, criado em 1836. No início do Século XX, serviu ao Tribunal de Justiça da Paraíba, em sua peregrinação por prédios da capital, sem deixar de ser Lyceu.
Junto com a Praça João Pessoa e o atual prédio do Tribunal de Justiça da Paraíba, à época, Escola Normal, foi cenário da tragédia em que terminou assassinado o estudante Sady Castor, em emocionante caso de amor na João Pessoa da época.
Apenas em 1937, 100 anos depois de sua criação, é que o Lyceu se transferiu para o atual prédio da Avenida Getúlio Vargas, onde existe até hoje. Sua origem e consolidação estão, contudo, no velho prédio da Praça João Pessoa, agora na berlinda, após a venturosa reforma e mudança de função do velho convento.
Na segunda metade do Século XX, a partir dos anos 1950, o prédio teve outra destinação, no caso, a Faculdade de Direito da Universidade da Paraíba, depois federalizada, completando um ciclo de utilizações memoráveis na trajetória histórica pessoense.
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