Semana Santa, por Mirtzi Ribeiro
Sérgio Botelho – Em “Semana Santa”, Mirtzi oferece uma reflexão atualizada sobre o significado da Páscoa, transcendendo a tradição religiosa para abordar uma libertação interior. Com clareza e sensibilidade, conecta a narrativa bíblica — do Êxodo judaico à ressurreição de Cristo — a um convite urgente de autotransformação: abandonar mentalidades opressoras, preconceitos e vícios emocionais para “renascer” em uma consciência mais elevada.
Sua abordagem destaca-se ao humanizar o simbolismo da data, propondo que a verdadeira “passagem” não é física, mas psicológica: um êxodo de hábitos tóxicos rumo à empatia e ao autoconhecimento. A crítica sutil ao reducionismo da Páscoa como mera abstinência de prazeres reforça a necessidade de um mergulho íntimo e corajoso.
Misturando poesia e pragmatismo, Mirtzi transforma a celebração em um chamado universal — não apenas para cristãos, mas para todos que buscam libertação de suas próprias “escravidões” invisíveis. Um texto que ressoa como um lembrete: renovar a alma é tão vital quanto honrar rituais.
Semana Santa
Mirtzi Lima Ribeiro
Nesse ano corrente os cristãos celebram a Semana Santa que se iniciou no dia 13 de abril no “Domingo de Ramos” e terá seu ápice no “Domingo de Páscoa”, no dia 20/04/2025.
Este intervalo relembra a outorga e a vivificação espiritual de Jesus Cristo, tendo na Páscoa a culminância deste evento que simboliza a sua ressurreição.
A Páscoa contemporânea possui um conceito mais ampliado da Páscoa Judaica (Pessach ou “passagem”), cuja comemoração se circunscrevia ao fim de um período de servidão dos hebreus aos egípcios.
A atual celebração não diz respeito apenas à libertação física e material tipificada pela Passach. Ela trata de nos lembrar o sentido de libertação, não apenas como um deslocamento físico advindo do fim do cativeiro em busca da Terra prometida.
O conceito toma uma conotação espiritual, porque representa a migração de um estado restrito de consciência para um estado de consciência elevado, pela via da obtenção de discernimento e de uma visão mais humanizada e divina a respeito da vida e de nossas relações de convivência, bem como de comportamentos saudáveis necessários a todos os aspectos possíveis na existência.
Aquilo que carimba com ódios e mesquinharias, aquilo que escraviza, aprisiona ou submete o outro de modo aviltante precisa ser revisto, transformado e transcendido para dar lugar à adoção de todas as formas relacionadas ao direito de ser e de ir e vir.
Esse deveria ser o maior significado da Páscoa.
Então, o que podemos compreender sobre as celebrações desse período?
Elas deveriam nos remeter à ideia de que cada pessoa precisa fazer um exame isento sobre seu íntimo e sobre as premissas que abraça, para então descobrir o que precisa ser modificado, ressignificado, aprimorado, readaptado, ou, abandonado em termos de costumes e conceitos equivocados.
Deveria ser um período não apenas de eliminação de doces e de prazeres como muitos se dispõem a fazer nesse período, mas sim um sério mergulho em si mesmo para conseguir efetuar a travessia de um “eu” parcial, egotista, seletivo na via de preconceitos, tóxico em relação a outras pessoas e consigo mesmo, para um nível de compreensão em patamar saudável.
O objetivo? Tornar-se um ser humano mais consciente em relação às suas ações e comportamentos, indistintamente.
O adequado seria ter esse sentimento e fazer uma reavaliação de todas as formas de escravidão e de controle, no sentido de realizar uma libertação emocional e psicossomática delas.
É preciso empreender “a passagem” da inconsciência para a consciência. É um processo doloroso assim como foi o calvário. É preciso ressuscitar, ou seja, sair de uma mentalidade parcial obscura e de escopo denso, para renascer na busca da luz do esclarecimento, por adquirir e desenvolver sensibilidade e sensatez.
Em essência, esta celebração é um grande balizador que nos aponta que a Consciência deve se manter limpa, primorosa, agregadora, inclusiva, justa, equilibrada e com a noção ampla sobre cooperação e parceria.
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