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RAPIDAMENTE. Preservando a riqueza histórica de João Pessoa

Sérgio Botêlho – Percorrer os limites do Centro Histórico de João Pessoa, é voltar ao tempo em que a cidade, começando à beira do Sanhauá, no Varadouro, esbarrava na Lagoa dos Irerês, depois Parque Solon de Lucena; no Cordão Encarnado; na Avenida João Machado com as Trincheiras; e no Bairro do Róger.

Grosso modo, esse era o universo citadino pessoense que perdurou até o início da década de 50, após as grandes transformações espaciais ocorridas na capital paraibana, da década de 1920 em diante. Ao longo desse processo de urbanização da cidade, várias construções históricas foram derrubadas.

Somente no circuito entre os atuais Ponto de Cem Reis, Praça João Pessoa e Praça 1817, três prédios emblemáticos foram ao chão: respectivamente, a Igreja do Rosário, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e a Igreja das Mercês. Já bem mais recentemente, falo da década de 1970, foi demolido o icônico prédio de A União, na praça João Pessoa. Outros, continuam apodrecendo a olhos vistos, nos dias de hoje.

É preciso entender que a preservação do nosso sítio histórico vai permitir às gerações contemporâneas e futuras ver e tocar no próprio passado, para além dos livros, reforçando, ao mesmo tempo, o senso de pertencimento comunitário. Entretanto, há de se reconhecer que uma tarefa assim, apesar de tão fundamental, não é fácil.

Primeiro, é preciso superar a porfia que envolve a reunião de uma grande soma de recursos a ela reservados. Depois, para vencer o desafio de revitalizar o nosso sítio histórico, importa, afora a restauração de prédios e ruas, adensá-lo em termos populacionais, passando por uma ressignificação que formule novos parâmetros para uma reutilização de prédios e equipamentos.

E, ainda, reordenar a mobilidade urbana local. Nesse sentido, há muito ainda a ser feito em João Pessoa, apesar do que já foi realizado. Imagino que somente quando a população estiver efetivamente conquistada às operações preservacionistas, os avanços mais definitivos serão consolidados.

Então, a cidade do futuro, constituída pela gente natural e pela gente que chega, herdará de nós outros uma memória preservada mais seguramente, com uma indústria do turismo a operar de forma sustentável, cada vez mais fortalecida, e com benefícios econômicos locais inestimáveis. (Sérgio Botelho)

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