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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A Revolução Praieira

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Sérgio Botelho – Quando a Revolução Praieira estourou, em 1848, Pernambuco guardava a memória de 1817 e 1824, ocasiões em que já havia enfrentado o poder central. Muitos também não escondiam o incômodo com o domínio de poucas famílias, com a prevalência dos comerciantes portugueses no varejo, com o recrutamento militar e com a pobreza de muita gente livre, sem trabalho certo e sem voz política.

O nome veio da Rua da Praia, no Recife, onde funcionava o Diário Novo, jornal de orientação liberal. Em 1844, os liberais haviam chegado ao governo provincial. Quatro anos depois, com a volta dos conservadores ao poder no Império, perderam espaço local. A troca do presidente da província acendeu a revolta.

Em 7 de novembro daquele ano, começaram os combates em Pernambuco. A luta saiu do Recife e alcançou engenhos, vilas e matas. Em janeiro de 1849, como já vimos no texto anterior, publicado nesta sexta-feira, 29, o paraibano Antônio Borges da Fonseca deu à revolta um tom programático e ideológico, na forma do Manifesto ao Mundo.

O movimento pedia voto livre e universal, liberdade de imprensa, trabalho como garantia de vida, o varejo para os brasileiros, fim do Poder Moderador e federalismo. O paraibano e seu grupo eram ainda mais avançados e, não raramente, defendiam ideias que conflitavam com outras alas do movimento.

No geral, porém, a Revolução Praieira era uma tentativa de reformar o Império por meio da pressão armada e da mobilização política. Embora, assim como as de 1817 e 1824, não se falasse claramente em abolição da escravatura. Quem mais se aproximava dessa bandeira era o Manifesto, sem, contudo, incluí-la.

Em fevereiro de 1849, os revoltosos tentaram tomar o Recife, mas foram derrotados. Aí, parte deles, incluindo Borges da Fonseca, seguiu para o norte e chegou à Paraíba. Então, o capítulo final.

(Imagem criada por IA)

*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais.

https://www.paraondeir.blog/praieira/

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