PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A criação da Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba

Sérgio Botelho – O dia 13 de agosto de 1759 marca a criação em Portugal de uma certa Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba. Segundo documento no site Digitalização e Arquivística (Digitarq), ligado à Torre do Tombo, em Portugal, a empresa tinha sede em Lisboa, e representações no Porto e em Recife. Na Paraíba, não.
Reza o documento que as frotas da Companhia carregavam para o Brasil produtos manufaturados, ferramentas, utensílios, alguns géneros alimentícios, medicamentos e escravos, trazendo para o Reino açúcar, café, cacau, especiarias, madeiras, algodão, matérias corantes, tabaco, atanados e couro.
Quatro anos antes, a Coroa havia determinado a subordinação da Capitania da Paraíba à de Pernambuco, colocando-a na mesma situação das capitanias do Rio Grande, do Ceará e à comarca de Alagoas, segundo comenta o Mestre em História, Bruno Cezar Santos da Silva, em sua dissertação de Mestrado, na UPFB.
“Com isso, a Paraíba, muito embora permanecesse com os seus limites territoriais intactos, perdia o direito da jurisdição política, econômica e também militar para o governo de Pernambuco”, afirma o pesquisador no trabalho intitulado Entre defesa e ordem: os corpos militares da Paraíba na trama da subordinação à capitania de Pernambuco (1755-1799).
Na época, a Provedoria da Fazenda, na Paraíba, se mostrava insuficiente para honrar compromissos ordinários. Importante lembrar que impostos de produtos paraibanos, negociados diretamente em Recife, acabavam recolhidos em Pernambuco. Aliás, problema multissecular enfrentado pela Paraíba.
A crise financeira, que também atingia Pernambuco, vinha desde a expulsão dos holandeses, do Brasil, em 1654, frente ao sucesso dos batavos na produção de açúcar, nas Antilhas. Como monopólio comercial, a Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba durou formalmente até 1780.
{Imagem: De um documento intitulado “Mapa da carga de que se assinaram conhecimentos para Lisboa, 1769, reproduzido por Thiago Alves Dias no trabalho acadêmico “Os negócios globais de uma companhia colonial: A Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba e os negócios da China (1759-1783)},
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A criação da Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba


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